Monitoramento de UCs

O monitoramento das unidades de conservação e de seu manejo é necessário dado que as áreas protegidas enfrentam contínuas ameaças e que a biodiversidade que se quer conservar é dinâmica. Em geral, esse monitoramento é uma eventual avaliação, são realizados com a finalidade de promover o manejo adaptativo, aperfeiçoar o planejamento ou verificar a eficiência da unidade. O manejo adaptativo é um processo cíclico onde as informações sobre o passado retroalimentam e aperfeiçoam a forma em que o manejo será conduzido no futuro. Para tanto, avaliar a efetividade das atividades de manejo adotadas é um passo fundamental. O aperfeiçoamento do planejamento vai desde a avaliação do desenho da unidade e suas conexões com os ambientes fora de seus limites, até a análise dos programas desenvolvidos na unidade. Por fim, a verificação da eficiência, uma demanda crescente da sociedade, permite examinar como, e se, os objetivos da unidade estão sendo cumpridos e a que custos.


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O monitoramento das áreas protegidas pode se dar em duas escalas e em pelo menos dois enfoques. A primeira escala é a da unidade de conservação em si, a avaliação de uma determinada unidade. A segunda escala é a do sistema de áreas protegidas – nacional ou regional. Nesse caso, as unidades são examinadas como parte de um sistema que possui objetivos mais amplos e efeitos complementares. No que tange aos enfoques, o primeiro é relativo à eficiência do manejo e, o segundo, à eficiência da conservação da biodiversidade. Evidentemente, esses enfoques se confundem, pois o manejo visa, entre outros objetivos, a garantir a conservação da biodiversidade. Não obstante, os indicadores para esses enfoques devem ser diferentes, pois é possível ter um manejo que cumpra seus objetivos pré-estabelecidos, mas não assegure a manutenção da biodiversidade.

Há inúmeras iniciativas de monitoramento de unidades de conservação. Há um monitoramento global das áreas protegidas feito pela Base de dados mundial sobre áreas protegidas , que apesar de muito geral, permite algumas comparações e a percepção de um cenário geral. No Brasil, há um monitoramento da gestão das unidades usando metodologias desenvolvidas em outros países como o Rappam (Rapid Assessment and Priorization of Protected Areas Management), mas que ainda não é realizado em todas as unidades e sua frequência é baixa. No âmbito do Arpa, utiliza-se outro instrumento de monitoramento e avaliação, é a FAUC (Ferramenta de Avaliação das Unidades de Conservação), uma adaptação do Management Effetiveness Tracking Tool, desenvolvida pela Comissão Mundial de Áreas Protegidas, como parte da iniciativa Florestal, formada pelo Banco Mundial e pelo WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

Há ainda o monitoramento realizado pelo ISA, que é feito por uma diferente perspectiva, a da sociedade civil, e que agrega às informações oficiais, outras provenientes de midia monitorada diariamente e outras fontes. Leia mais sobre nossas atividades clicando aqui.

Vale mencionar que essas iniciativas não avaliam diretamente a proteção da biodiversidade ou os processos que mantêm sua integridade. Para avaliar a conservação da biodiversidade nas áreas protegidas federais brasileiras, foi criado o Sistema de Monitoramento da Biodiversidade nas Unidades de Conservação – SIMBIO, que ainda está em fase experimental. Nessa etapa, estão sendo monitoradas seis unidades de conservação – quatro parques nacionais e duas reservas biológicas –, nos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. A proposta do SIMBIO era de uma avaliação contínua das unidades, levando em conta, além dos aspectos relacionados com a conservação da biodiversidade, aspectos sociais, econômicos e institucionais.  Há, ainda, todo o universo dos impactos sociais, culturais e econômicos que as áreas protegidas exercem sobre as comunidades locais e que não vinham sendo, até o momento, monitorados e nem avaliados. O ano de 2009 trouxe essa questão a baila e hoje, há iniciativas da sociedade civil, em construção, com vistas a avaliar e monitorar os impactos sociais das áreas protegidas. Exemplos são a Avaliação de Impactos Sociais em Áreas Protegidas, AISAPS, capitaneada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e o WWF e o sistema de monitoramento socioambiental das áreas protegidas da Amazônia, iniciativa do ISA.