Cavernas

O Patrimônio espeleológico brasileiro é extremamente rico e encantador, com uma grande diversidade em sua geomorfologia e biota associada. Segundo a base de dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas1 (CECAV) vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Brasil possui mais de 7 mil cavernas. Entretanto, sabe-se que esse dado ainda é subestimado, e que uma vez que haja carência de um levantamento sistemático do patrimônio espeleológico no território brasileiro esse número representa apenas as cavernas já prospectadas e com dados publicados, os quais foram sistematizados, georreferenciadas e analisados pelo CECAV.

APA Caverna do Maroaga (AM)  / ROBERTO LINSKER/www.terravirgem.com.br

O ambiente cavernícola apresenta características muito peculiares quando comparado ao ambiente da superfície terrestre. Dentre estas podemos citar a ausência permanente de luz e a tendência na estabilidade das condições ambientais, tais como temperatura e umidade2 e a grande dependência de uma fonte exterior de recurso alimentar.

A ausência de luz no interior das cavernas impossibilita a ocorrência de organismos fotossintetizantes, como plantas ou algas, assim, são responsáveis pelo deslocamento desse recurso para o interior das cavernas, os cursos d’água, temporários ou perenes ou águas que percolam através de eventuais aberturas  pelo teto e paredes e restos de animais mortos que utilizam as cavernas como abrigos ou nela adentram acidentalmente. Uma terceira e muito importante fonte alimentar para a fauna cavernícola é o guano, rico material orgânico oriundo principalmente das fezes de morcegos de hábitos cavernícolas. Em cavernas tropicais, especialmente as permanentemente secas, o guano de morcegos é a mais ordinária fonte de material orgânico, formando a base trófica para a estrutura de comunidades da fauna invertebrada.3  

A pequena disponibilidade de recursos nas cavernas é um fator limitante ao estabelecimento de inúmeras espécies nos ecossistemas subterrâneos, além disso, os organismos que vivem nesse meio apresentam  adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamentais, geralmente ligadas às condições físicas do hábitat e à escassa disponibilidade alimentos2. Olhos reduzidos ou ausentes, pouco necessários em ambientes sem luz, e outros órgãos sensoriais bem desenvolvidos, como antenas; ausência de colorações vistosas na pele; são algumas das características presentes em animais cavernícolas.

 

Morcego frugívoro - Indivíduo da aspécie Platyrrhinus lineatus (Phyllostomidae) comendo um fruto de caqui-do-cerrado (Diospyros hispida) Cerca de 50% dos morcegos brasileiros comem frutos, seja como alimento primário ou secundário, sendo também responsáveis pelo início da regeneração das florestas. 2007  / Marco Mello

Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV)1, há 2.643 cavernas registradas na Amazônia Legal. Todas elas podem ser localizadas no mapa interativo na home do site.  A caverna Abismo Guy Collet, localizada no município de Barcelos (AM), região do município sob a qual também incide o Parque Estadual da Serra do Aracá, é considerada a caverna com maior desnível do Brasil, chegando a 670 metros4.





 

Saiba mais

Estrutura trófica e história natural das cavernas brasileiras - R.L. Ferreira e R.P. Martins.

Portaria do MMA (358/2009) que institui o Programa Nacional de Conservação do Patrimônio Espeleológico.

Instrução normativa do MMA (2/2009) para determinar metodologia classificatória do grau de relevância de cavidades naturais.

Projeto de Lei 855/11 do Dep. Carlos Bezerra (PMDB-MT), em tramitação, sugere transformação das cavernas em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Acompanhe.

Notas e Referências

  1. Ministério do Meio Ambiente. 2010. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV)/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Acesso em setembro de 2010. Disponível clicando aqui.
  2. CULVER, D. C. 1982. Cave life: Evolution and Ecology. Harvard University Press, Cambridge. 189 p.
  3. DECU V. 1986. "Some considerations on the bat guano synusia". Travaux de l’Institut de Spéologie Emile Racovitza 25: 41-51.  e FERREIRA R.L. 1998. Ecologia de comunidades cavernícolas associadas a depósitos de guano de morcegos. Dissertação de Mestrado em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre da Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brazil, 85 pp.
  4. Sociedade Brasileira de Espeleologia. 2010. Acesso em dezembro de 2010. Disponível clicando aqui