Desmatamento

As Unidades de Conservação na Amazônia Brasileira enfrentam muitos desafios: a expansão da fronteira agropecuária, a mineração, a exploração de madeira ilegais e as grandes obras de infraestrutura nos projetos de governo, como estradas e hidroelétricas, que vêm convertendo as paisagens naturais e já derrubaram mais de 22% da floresta amazônica.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais1 analisados em relação aos limites das UCs e TIs produzidos pelo ISA, 148.345.913 hectares2 desses territórios eram originalmente formações florestais, o que corresponde a 72,5% da extensão total das 270 UCs3 e 420 TIs na Amazônia Brasileira (dezembro/2014). As TIs e UCs apresentam desmatamento florestal acumulado de apenas 2% em seu interior, e mesmo assim, se considerarmos o ano de criação das UCs ao invés de contabilizar historicamente o desmatamento na área, ou seja, contabilizarmos apenas o incremento do desmatamento a partir de sua delimitação, menos de 60% do desmatamento verificado eu seu interior ocorreu após sua criação.

Isso claramente coloca as Unidades de Conservação como ponto fundamental na estratégia de contenção do desmatamento na Amazônia e na viabilização de um modelo de desenvolvimento regional justo que contemple os diferentes modos de vida e apropriação do território, alternativos ao modelo predatório desenvolvimentista.

O desmatamento no interior das UCs e TIs representa apenas 3,9% do desmatamento total da Amazônia Legal; 96,1% do desmatamento atual acumulado ocorreu nas propriedades particulares e terras públicas fora das UCs e TIs.

Os rankings interativos abaixo apresentam as 10 UCs federais e as 10 UCs estaduais mais desmatadas da Amazônia Legal (apenas UCs maiores de 10 mil hectares). Para cada uma das Unidades de Conservação é dado o percentual de desmatamento ano a ano e o percentual da UC que ainda está preservado: clique nos rótulos da legenda para interagir com o gráfico.

Para mais informações sobre estas ou demais Unidades de Conservação da Amazônia Legal, acesse a interface de pesquisa.

Notas

1 Prodes-Programa Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira/INPE. 2015: desmatamento até 2014, composto pelas classes: formações originalmente florestais, formações não florestais, água e nuvem.

2 Para o cálculo do desmatamento foram consideradas as extensões oficiais citadas nos instrumentos legais de criação ou alteração de área das UCs e de reconhecimento das Tis. As sobreposições entre UCs foram excluídas, priorizando-se a seguinte sequência: federais de PI, estaduais de PI, federais de US e estaduais de US.

3 Para análise de desmatamento não foram consideradas as UCs da categoria APA, por ser uma categoria que configura mais como uma unidade de gestão territorial do que propriamente a conservação e uso dos recursos naturais. Seus domínios podem abarcar todo tipo de atividade, desde industrial e mineração até áreas consolidadas de ocupação humana.

4 Veja detalhes desta análise na nota técnica.