O Dia do Turismo Ecológico abriu o mês de março

O turismo ecológico promove a conservação da natureza e o bem estar das populações locais através do contato e aproximação da sociedade com o patrimônio natural e cultural de forma sustentável

Lençóis Maranhenses, Jericoacoara, Cantareira, Tijuca… Talvez você já tenha visitado algumas dessas áreas sem saber que se tratavam de uma unidade de conservação. A Baía do Sancho, eleita mais de uma vez a melhor praia do mundo pelos usuários do site de viagens TripAdvisor, faz parte do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. O Cristo Redentor, imagem icônica do Rio de Janeiro, está dentro do Parque Nacional da Tijuca. Com o cotidiano mais urbanizado, o contato com ambientes naturais é cada vez mais procurado como forma de lazer. Nesse contexto, as unidades de conservação têm papel fundamental na preservação desses ambientes.

O ICMBio divulgou recentemente os dados sobre visitação em UCs federais no ano de 2016 (Veja aqui os dados divulgados). De maneira geral, houve um discreto aumento na quantidade de visitantes no último ano (8,07 milhões em 2015 para 8,29 milhões em 2016). As unidades mais visitadas foram os Parques nacionais da Tijuca (2,72 milhões de visitantes), Iguaçu (1,56 milhões), Jericoacoara (780 mil) e de Fernando de Noronha (389 mil). Em compensação, analisando-se o período de 2007 a 2016, o aumento mais que dobrou: de 3,18 milhões para 8,29 milhões de registros de visitação em UCs.

Os Parques são a categoria de unidade de conservação que mais atraem visitantes, mas essa não é a única que permite o turismo – Veja mais sobre as outras categorias aqui. As Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas, Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e algumas outras também permitem o turismo como uma alternativa de uso público além de possibilitar a ampliação de recursos e relações à comunidade local, essenciais para fomentar o desenvolvimento regional.

O uso público nas unidades de conservação possui um papel importante de fomentar a aproximação a ambientes naturais e à realidade das comunidades locais, alternativas à realidade de consumismo intenso dos meios urbanos. Isso promove a apropriação dessas áreas pela sociedade, aumentando o apoio público por sua conservação e sua visibilidade, o que confere uma proteção contra as diversas ameaças a que estão sujeitas, desde grilagem a extração madeireira e garimpo. Existem ainda outros benefícios como a educação ambiental e a dinamização da economia local.

O turismo de aventura é uma demanda crescente, com atividades como escalada, rafting, rapel e travessias. Recentemente foi inaugurada a Trilha Transcarioca, uma trilha de longo curso (cerca de 180 km de extensão) que corta a cidade do Rio de Janeiro e interliga seis unidades de conservação de proteção integral - Parque Nacional da Tijuca, Parque Estadual da Pedra Branca, Parque Natural Municipal de Grumari, Parque Natural Municipal da Catacumba, Parque Natural Municipal Paisagem Carioca e Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca - e uma de uso sustentável, a Área de Proteção Ambiental do Morro da Saudade. Além de seu papel turístico evidente, a trilha tem também a vantagem de servir como corredor ecológico, conectando diversos fragmentos florestais.

Mesmo com insuficiente apoio dos órgãos gestores e parceiros locais, muitas comunidades residentes em unidades de conservação ou seu entorno desenvolvem atividades de turismo de base comunitária, algumas vezes antes mesmo de as UCs terem sido criadas. Alguns exemplos ocorrem na Floresta Nacional do Tapajós (veja pelo site do ICMBio), na Resex Tapajós Arapiuns e na RDS Mamirauá (veja o site).

A implementação do turismo encontra-se em diferentes fases dentre as UCs, desde as mais preliminares de planejamento e abertura para visitação até estágios mais avançados de estruturação. Se bem manejado, há grande potencial de contribuir para a sustentabilidade financeira do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). As atividades e práticas implementadas devem garantir a preservação dos atributos naturais da área, observando-se fatores como capacidade suporte de trilhas e áreas com permissão de visitação, entre outras, e é imprescindível que estejam em consonância com as demandas sustentáveis das comunidades locais.

Para conhecer melhor as unidades de conservação próximas a você veja o nosso mapa interativo.