Instituições resgatam peixe-boi no Amapá

A Crítica - http://acritica.uol.com.br/ - 17/09/2013
Um peixe-boi foi resgatado no último sábado, dia 14, pela equipe de brigadistas da Estação Ecológica (ESEC) de Maracá-Jipioca, com apoio de moradores e pescadores da cidade de Amapá. O animal estava encalhado na área portuária daquela cidade, situada a 320 km de Macapá, no estado do Amapá. O peixe-boi foi posto sob os cuidados temporários da brigada de incêndios da estação ecológica, orientados por especialistas sobre os procedimentos a serem tomados para sua segurança.

Ao saber da ocorrência do encalhe, o chefe da unidade de conservação, Iranildo Coutinho, entrou em contato com Danielle Lima, pesquisadora associada do Instituto Mamirauá e representante do Instituto de Pesquisas Científicas do Estado do Amapá (IEPA) na Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Norte do Brasil (Remanor) e com a veterinária Sandra Aparecida Rameiro, do Centro de Triagem de Animais Silvestres - CETAS/IBAMA/AP, que passaram as orientações iniciais, realizaram os atendimentos emergenciais e acompanharam o transporte do peixe-boi para a cidade de Macapá, no dia 15 de setembro, para acompanhamento clínico no CETAS/IBAMA/AP.

Trata-se de um animal bastante jovem, com cerca de um metro de comprimento e 19 quilogramas, aparentemente, da espécie peixe-boi marinho. Um animal adulto da espécie pode chegar a 4 metros de comprimento e da espécie amazônica alcança até 3 metros. Entretanto, a presença do peixe-boi amazônico na região concorre para que haja casos de hibridismo, o que dificulta a decisão sobre o melhor tratamento a ser dado nesse caso.

As especialistas concluíram que o espécime possui poucos meses de vida, e ainda requer amamentação e cuidados com sua saúde, por tempo equivalente ao que permaneceria junto da mãe. Tudo indica que o animal deva ter se perdido da mãe, seja pela mesma ter sido vítima de caça, seja devido às fortes marés ocorridas na semana passada ou outras possibilidades.

Por meio da Remanor, através do apoio da oceanógrafa Míriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, do Instituto Mamirauá, identificou-se um cativeiro (em ambiente natural) que oferece condições adequadas para reabilitação do peixe-boi na ilha do Marajó. Essa instalação está sob a responsabilidade do IBAMA/Pará, em parceria com a Reserva Extrativista (RESEX) de Soure/PA, GEMAM/Museu Emílio Goeldi, Prefeitura de Salvaterra e comunidade local. O Instituto Mamirauá disponibilizará recursos financeiros para o transporte aéreo, tão logo seja dada autorização pelo IBAMA/AP, que hoje se encontra como responsável pelo espécime.

O objetivo é que, após o reestabelecimento do animal, o mesmo seja devolvido ao Amapá, para soltura e monitoramento na região onde foi encontrado. Estima-se que isso deva ocorrer num período de 1 a 2 anos, a depender da resposta do animal ao processo de reabilitação. Dadas as circunstâncias em que o peixe-boi foi encontrado, os brigadistas deram-lhe o nome de "Vitor Maracá", referindo-se ao masculino de "Vitória" pelo resgate bem sucedido, e Maracá, em alusão à área protegida pela qual são responsáveis, onde a espécie está presente.

Apesar do nome, o peixe-boi é um mamífero aquático, e encontra-se na lista vermelha de espécies em extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais - IUCN, devido à forte pressão provocada pela caça e perda de hábitats, como destruição das áreas de manguezais e comprometimento dos rios e estuários. O litoral do Amapá é uma das poucas regiões que mantém preservados esses ambientes, e, por isso, ainda há forte ocorrência da espécie.



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Biodiversidade:Fauna

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  • UC Maracá-Jipioca
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