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JB, Pais, p.A5
09/02/2004
Riquezas da floresta na sala de aula

Riquezas da floresta na sala de aula
No Pará, estrutura flutuante promove educação ambiental e incentiva preservação da Amazônia

Marcelo Kischinhevsky
O mesmo rio que é fonte de sustento para milhares de ribeirinhos da Amazônia agora serve também de fonte de saber para crianças da cidade, que estão descobrindo as riquezas da floresta em salas de aula flutuantes. Graças a um convênio entre a Sociedade Civil Mamirauá e a Esso do Brasil, centenas de estudantes de municípios da região do Alto Solimões, como Tefé, Alvarães e Uarini, vêm aprendendo lições sobre a rica fauna local, que inclui peixes-boi, botos, jacarés e quelônios, além de noções de manejo florestal, artesanato, uso de energias renováveis, agricultura e saúde.
A maioria das atividades é realizada no Centro Itinerante de Educação Ambiental e Científica Bill Hamilton, uma estrutura flutuante com mais de 400 metros quadrados, aparelhado com salas de aula, laboratório, biblioteca, computadores e alojamentos para professores e até 40 alunos.
- O programa vem dando um impulso à educação ambiental, divulgando nas escolas da região a mentalidade da conservação. Existe muito pouco sobre biodiversidade em termos de material didático. Descobrimos que só um livro escolar tratava do assunto no Pará - conta Edila Moura, pesquisadora da Universidade Federal do Pará e coordenadora do Programa Esso Mamirauá de Educação Ambiental. - Nossa idéia é municiar professores e integrar as crianças da cidade e da floresta.
Mestre em Sociologia pela Universidade de Toledo, nos Estados Unidos, e doutora em Desenvolvimento Sustentável pelo Núcleo de Estudos Amazônicos, Edila Moura comemora os primeiros resultados positivos do programa, que abrange uma série de atividades, como teatro, curso de informática e formação de jovens educadores. As peças, encenadas pelos próprios alunos, abordam temas de interesse local como a reciclagem do lixo e a importância da preservação de espécies como o pirarucu e os quelônios. Lançado há poucos meses, o projeto já atingiu cerca de 3 mil estudantes, do ensino fundamental até o superior.
- Estes estudantes terão um efeito multiplicador, levando aos demais um pouco do conhecimento ambiental - explica a pesquisadora, acrescentando que todos os participantes vão, necessariamente, conhecer a reserva.
Embora praticamente desconhecida do resto do país, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ao lado da Reserva de Amanã e do Parque Nacional do Jaú, forma a maior área de floresta tropical protegida no mundo. A Estação Ecológica Mamirauá, com 1.124 hectares, foi criada pelo governo do Amazonas em 1990. Hoje, é administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e está vinculada ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação, mantendo com o Ministério da Ciência e Tecnologia um contrato de gestão.
A população total beneficiada pelo programa gira em torno de 5 mil pessoas, espalhadas em cinco núcleos pela floresta. Todas engajadas, direta ou indiretamente, nos projetos de conservação e manejo dos recursos naturais, como produção de artesanato, pesca e agricultura de subsistência. O lucro obtido com as atividades econômicas reverte para a comunidade, que decide onde aplicar os recursos.
- Temos índice zero de desmatamento na reserva para novas áreas de cultivo - conta a professora, lembrando que diversas hortas são plantadas na lama, na parte do solo que permanece metade do ano alagada. - Tentamos sempre integrar o saber popular e os conhecimentos científicos.
JB, 09/02/2004, p.A5.