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ICMBio - http://www.icmbio.gov.br/
08/09/2015
Tingua conserva pedaco de Mata Atlantica

E garante abastecimento da bacia de vários rios fluminenses

Relatos indicam que a palavra tinguá pode ter origem na língua tupi-guarani e significar nariz de pedra ou nariz empinado. A descrição seria referência a uma pedra existente na Reserva Biológica (Rebio) do Tinguá (RJ) que lembra o nariz de uma pessoa.

Criada em 1989, a Rebio, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mostra, com sua rica biodiversidade em meio à Mata Atlântica, o quanto a sociedade e o planeta estariam perdendo, caso ela não existisse.

"A reserva nasceu originalmente em 1880, na época do Império, em virtude de uma crise na Corte de falta de água", conta o chefe da unidade, Flávio Silva.

Ao todo, são 32 captações de água dentro da reserva, com estruturas históricas e em bom estado. "São obras feitas com pedras, algumas tombadas pelo patrimônio histórico", frisa o chefe da reserva.

Educação ambiental

Todos os anos, gestores da Rebio, em parceria com os membros do Conselho Consultivo, promovem um evento chamado "Aldeia Ambiental". O objetivo é atrair a comunidade e conscientizá-la sobre a importância da reserva e seu papel na conservação das espécies ali existentes.

Durante a "Aldeia", que coincide com a celebração do aniversário da Rebio do Tinguá, gestores, parceiros, empresas e conselho reúnem-se na praça local, debatem temas importantes e promovem oficinas. O resultado se reflete na forma como a comunidade vê hoje a reserva. "Somente de estudantes conseguimos reunir mais de mil durante o evento", celebra o chefe.

Nas visitas das escolas à Rebio, os alunos conhecem como funciona uma reserva biológica, como ocorre a captação de água que abastece municípios da região e fazem trilha para ver de perto espécies da flora e fauna.

"Explicamos a diferença entre a água dos mananciais existentes na reserva e a água que chega na torneira na casa das pessoas. Os estudantes se encantam com tudo. Numa das últimas visitas, uma turma pôde apreciar um macaco bugio de perto", lembra Flávio.

No roteiro, os alunos conhecem ainda um reservatório datado de 1880, assim como tubulações de fundição inglesa. Eles se envolvem também na produção de mudas, cujas espécies são nativas da reserva.

Rebio e seu caráter mais restritivo

O debate sobre o que pode ou não ser feito dentro de uma reserva biológica é constante. Seja porque a confundem com parques nacionais, seja pela falta de informações corretas a respeito dessas unidades de conservação (UC). Na Reserva Biológica do Tinguá as regras de gestão e uso são as mesmas que para qualquer outra Rebio.

Conforme preconiza a Lei 9.985/2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc), em seu artigo 10o a reserva biológica é uma unidade de conservação do grupo de proteção integral e tem como objetivo a preservação da biota (conjunto de seres vivos) e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas.

As reservas biológicas são de posse e domínio públicos, portanto, áreas particulares que estejam incluídas em seus limites antes da data de criação devem ser desapropriadas. A visitação só é permitida para fins educacionais ou para a pesquisa científica, desde que autorizada pelo ICMBio.

Criação oficial

Criada pelo Decreto Federal no 97.780, a Reserva Biológica do Tinguá abrange uma área de aproximadamente 24.90o hectares. Localizada entre a Baixada Fluminense e a Serra do Mar, compreende os municípios de Nova Iguaçu (onde fica a sede administrativa), Duque de Caxias, Miguel Pereira e Petrópolis, distando 70 km da cidade do Rio e 16 km do centro de Nova Iguaçu, limite norte da Baixada Fluminense. O acesso à Rebio é feito pela Vila de Cava, distrito de Nova Iguaçu.

A Rebio foi criada com o objetivo de proteger a Mata Atlântica e os demais recursos naturais, com especial atenção para os recursos hídricos, e também para garantir o desenvolvimento de pesquisas científicas e ações de educação ambiental.

Segundo o chefe da Rebio do Tinguá, Flávio Silva, se a reserva não existisse, a sociedade estaria perdendo muito, tanto em termos dos recursos hídricos quanto em termos da biodiversidade. "Hoje a Rebio é responsável por proteger espécies ameaçadas como o muriqui, a onça parda, e algumas espécies de ipês, por exemplo", destaca Flávio.

Proteção dos rios

A Rebio do Tinguá preserva em seu interior um grande número de nascentes que formam as principais bacias hidrográficas do estado do Rio de Janeiro. A unidade é de vital importância para a conservação dos mananciais responsáveis pelo abastecimento de parte do estado, em especial de quase 80% da Baixada Fluminense, com benefício direto para a população que utiliza este recurso.

Os rios que nascem na região da Reserva Biológica do Tinguá abrangem a bacia da Baía de Guanabara, das lagoas metropolitanas e zona costeira adjacente, a bacia contribuinte e a Baía de Sepetiba, a bacia do Rio Paraíba do Sul e zona costeira adjacente.

A primeira macrorregião é dividida em cinco sub-regiões, correspondendo a Baía de Guanabara, Baixada de Jacarepaguá, riachos urbanos do Rio de Janeiro, bacias hidrográficas de Niterói e sistema lagunar de Maricá. Dentro dessa macrorregião, os rios que drenam a Rebio do Tinguá desaguam na sub-região da Baía de Guanabara, através dos rios Estrela e Iguaçu.

Já nas bacias contribuintes da Baía de Sepetiba, os rios que nascem na Rebio do Tinguá são o Rio Santana e o Rio São Pedro, que desaguam no rio Guandu. Já em relação à bacia do Rio Paraíba do Sul e zona costeira adjacente, os rios que drenam a Rebio desaguam na sub-região do trecho médio através do rio Piabanha.

Tinguá é histórica

A Rebio tem sua história diretamente ligada ao processo de crescimento da Baixada Fluminense e da própria cidade do Rio de Janeiro, incluindo os mananciais denominados Serra Velha, Boa Esperança e Bacurubu, que até hoje contribuem para o abastecimento de água para boa parte da Baixada Fluminense.

As nascentes desses mananciais, nas antigas fazendas da Conceição, Tabuleiro e Provedor, bem conservadas, motivaram o primeiro ato de proteção do lugar, assinado pelo imperador D. Pedro II. Em 1883, ele decretou que todas as áreas ocupadas pelas referidas fazendas seriam consideradas, a partir de então, florestas protetoras. A primeira foi incorporada à União por meio de doação feita por Francisco Pinto Duarte, o Barão de Tinguá, e as outras duas adquiridas por desapropriação.

A área da reserva compreende 26 mil hectares de Mata Atlântica, fazendo limites com Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Petrópolis e Miguel Pereira. Importante bacia produtora de água potável, desde os tempos do Império, ela segue protegendo amostras representativas da Mata Atlântica e demais recursos naturais nela contidos, com especial atenção para os recursos hídricos.

Em seu interior existem represas e aquedutos da época do Império e que até hoje funcionam em perfeitas condições. Por seu formidável potencial hídrico, a Rebio-Tinguá foi classificada, em 1993, como Patrimônio Natural da Humanidade, na categoria de Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, via Unesco. Pesquisadores, alunos de diversas escolas, grupos familiares e pessoas comuns podem visitar a reserva, com autorização prévia dos gestores.

Corredor protege espécies ameaçadas

A Rebio do Tinguá exerce papel de corredor ecológico entre as áreas protegidas e conservadas do bioma Mata Atlântica no sudeste brasileiro. Inserida no Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar, que é uma das áreas mais ricas em diversidade biológica da Mata Atlântica, a resevra é considerada de extrema importância para a conservação de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, além da flora e dos recursos abióticos (água, solo, paisagem, etc).

Entre as espécies ameaçadas protegidas nesta Unidade de Conservação estão: Gavião-pomba (Amadonastur lacernulatus), Muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), Gato-maracajá (Leopardus pardalis mitis), Choquinha-pequena (Myrmotherula minor), Morcego vermelho (Myotis ruber), Onça-parda (Puma concolor capricornensis), Tiriba (Pyrrhura leucotis), Saudade-de-asa-cinza (Tijuca condita), Águia-cinzenta (Urubutinga coronata).

Flora

Nas porções bem drenadas podem ser encontrados exemplares de Alchornea triplinervia (tanheiro), Croton sp. (sangue-de-drago), Ficus organensis (figueira-do-brejo), Tabebuia sp. (ipê-do-brejo), Virola sp. (bicuíba), Xilopia sp. (pindaíba), Cordia sp. (freijó), Piptadenia gonoacantha (pau jacaré), Parapiptadenia sp. (angico-branco) em meio à ocorrência generalizada de indivíduos das famílias Palmae, Bromeliaceae, Orchidaceae, além de Pteridophytae.

São relatadas, ainda, as espécies murici ou Vochysia tucanorum (pau-de-tucano); Talauma organensis (baguaçu); Parkia sp. (faveira); Miconia theaezans (jacatirão); Plathymenia foliolosa, Alchornea triplinervia, Nectandra sp. e Ocotea sp. (canelas), Croton sp. (sangue-de-dragão); pela ocorrência de Euterpe edulis (palmito) - espécie cada vez mais rara; Geonoma sp. e também do xaxim (Dicksonia sellowiana), ameaçado de extinção.

Fauna

Na Rebio, foi descoberto o menor anfíbio do mundo, o sapo-pulga. A façanha coube ao pesquisador Eugenio Izecksohn, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. "Parte da sociedade carioca lutou pela criação da reserva e há relatos de que o pesquisador Izecksohn teria trabalhado fortemente para que a unidade de conservação se tornasse uma reserva biológica e não parque nacional", diz Flávio.

"Numa das reuniões para discutir a criação, ele teria retirado do bolso uma espécie e afirmado que, por essas e outras espécies que nem sabemos que existem, não podemos criar um parque. Esta tem que ser uma reserva biológica", relembra o chefe a unidade.

Outra espécie recém-descoberta na Rebio do Tinguá é a arbórea Cinira Waltere. O nome faz referência a Walter, antigo caçador e atualmente guia que conduz os pesquisadores pela mata para seus estudos e análises. "Esta descoberta, em pleno Rio de Janeiro e no bioma Mata Atlântica, um dos mais estudados, é mais um dado que revela a importância da Rebio do Tinguá", frisa o gestor da unidade de conservação.

A madeira tapinhoã, a bromélia e o mineral tinguaíto, endêmicos na região, também comprovam a exuberância e a riqueza da biodiversidade do lugar. Na Baixada Fluminense, em particular nos rios maiores, existem condições de habitat que suportam a ocorrência de cágados (Hydromedusa tectifera e Phrynops geoffroanus). Lagoas rasas, charcos, áreas alagadiças e brejos localizados no território da baixada são habitats importantes para anfíbios e fundamentais para a reprodução.

Dentre as aves paludícolas (que vivem em charcos e lagoas), é comum na Rebio a ocorrência da Gallimula chloropus (frango d'água), o Rallus nigricans (saracuraanã), o Casmerodius albus (garça-branca), o Butoridas siniatus (socózinho), a Jaçana jaçana (jaçanã), o Dendrocygna viduata (irerê), a Fluvicola leucocephala (viuvinha) e a Fluvicola nangeta (lavadeira).

Há ainda a presença de carnívoros - o Cerdocyon thous (cachorro-do-mato), muito comum em toda a Mata Atlântica e com ampla distribuição no Brasil; o Procyon cancrivorus (guaxinim); o Conepatus chinga (aramcabé), a Eira barbara (irara), o Leopardus pardalis (jaguatirica), o Leopardus tigrinus (gato-do-mato) e o Herpailurus yaguarondi (jaguarundi).

Os mais antigos contam histórias de caça da onça parda (Puma concolor) e da onça-pintada (Panthera onca). Na região foram registradas duas espécies de artiodáctilos (que tem os dedos em número par): a Mazama americana (veadomateiro) e a Pecari tajacu (caititu). São espécies tidas como os maiores herbívoros e intensamente procuradas por caçadores.

Entre os primatas, são citados os sagüis Callitrix aurita, C. jacchus e C. pennicillata, o Alouatta fusca (bugio) e o Cebus apella (macaco-prego). Os sagüis C. jacchus e C. pennicillata são exóticos, originários do Norte-Nordeste brasileiro. O macaco-prego é espécie rara, sobrevivendo somente em trechos pouco alterados da Serra do Tinguá. Os bugios sobrevivem devido à sua capacidade de adaptação a áreas alteradas.

Problemas e ameaças

Parte das ameaças à Rebio do Tinguá são ações ilegais de caçadores que matam animais silvestres para vender suas carnes. Além deles, existem palmiteiros, ladrões de areia, pedreiras clandestinas, passarinheiros e carvoeiros que contribuem para a destruição da flora e fauna locais.

Agentes de fiscalização da reserva promoveram, dia 31 de julho, um sobrevoo com o objetivo de monitorar pontos de supressão de vegetação no interior da Rebio e construção de novas residências. A operação contou com a parceria com Petrobras (que cedeu o helicóptero), da Delegacia da Polícia Federal em Nova iguaçu (DPF-NI) e da Companhia Independente de Proteção Ambiental (Cipam).

Seis agentes de fiscalização caminharam por trilhas abertas na floresta, constataram irregularidades e apreenderam aves e instrumentos de captura em uma das residências recém-construídas ilegalmente. O morador deixou a casa aberta e os animais à vista, na área de serviço interna do imóvel.

A equipe constatou, ainda áreas desmatadas, corte de árvores no interior da reserva e um descampado aberto provavelmente recentemente. Outra irregularidade encontrada foi uma área já limpa e com movimentação de solo e indícios de uso de fogo no interior da Rebio.

Ao todo, segundo último levantamento feito na reserva, existem 350 famílias morando no interior da Rebio do Tinguá, que possui titularidade de sua terra toda regularizada. "O que temos, no caso com esses proprietários, é algumas sobreposições em termos de documentações. Conseguimos avançar firmando com proprietários um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para executarmos, juntos, um programa de recuperação de áreas desmatadas", explica o chefe da Rebio do Tinguá, Flávio Silva.

A urbanização do entorno e suas decorrências como o lixo, as descargas orgânicas, o assoreamento e a erosão das margens dos corpos hídricos e as atividades de lazer (com barramentos artificiais nos rios e cachoeiras) estão exigindo demais dos recursos ambientais já pressionados.

Os núcleos urbanos próximos à Reserva Biológica do Tinguá, tais como Jaceruba, Rio D'ouro, Santo Antônio, Tinguá e Xerém, crescem gerando aglomerações urbanas dependentes do núcleo central do município, como é o caso de Xerém.

A expansão dessas áreas se dá na informalidade, nas encostas, à margem de estradas e nas áreas aluviais dos rios, com todos os efeitos decorrentes desse tipo de ocupação. A ocupação da área do entorno da Rebio, notadamente na sua porção leste, continua em expansão, pelas condições de mercado próprias de informalidade sem qualquer observância da Lei do Snuc e das normas de edificação e ambientais.

Crédito parcial: Plano de Manejo da Rebio do Tinguá (RJ)

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