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17/07/2014
Agricultores familiares plantam cacau para reflorestar parte da Amazonia

Os habitantes de São Félix do Xingu começaram a notar o reaparecimento da vegetação nativa na região. O município, localizado na área conhecida como Terra do Meio, sudeste do Pará, apresentava altos índices de desmatamento da Amazônia Legal, com atividade pecuária. Agora, com o projeto Florestas de Valor os agricultores da área descobriram no cultivo do cacau uma alternativa rentável de reversão do processo de degradação ambiental. É imprescindível manter a vegetação nativa para garantia de sombreamento adequado à plantação de cacau e retenção da umidade do solo.

Desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora) e patrocinado pela Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, o projeto contribui para aumento do rendimento das cooperativas de produtores a partir de incremento nas vendas do cacau. Três mil toneladas do produto serão comercializadas em 2014.

O coordenador do projeto no Imaflora, Léo Ferreira, explicou as recentes mudanças no município. "Agora a pecuária não é mais a única alternativa de renda. Temos dado treinamento aos trabalhadores para colherem um cacau com mais qualidade". A equipe do projeto ensina a produzir com responsabilidade ambiental, recuperar e conservar nascentes e matas ciliares dos rios. Cultivo, poda, fermentação e secagem das sementes são feitos de forma mais adequada pelos produtores capacitados.

Com sistemas de produção conhecidos como agroflorestas, as árvores do cacau são plantadas à sombra de outras espécies nativas e ajudam a recuperar áreas degradadas. Por serem nativos da Amazônia, os cacaueiros são bem adaptados ao clima local, o que os torna resistentes às pragas e dispensa o uso de defensivos tóxicos.

Rentável

Como resultado desse trabalho, neste ano, serão comercializadas em torno de 3 mil toneladas de cacau produzidos nos sistemas agroflorestais, em São Félix do Xingu. Uma das cooperativas, a Cooperativa Alternativa Mista de Pequenos Produtores do Alto Xingu (Camppax), venderá 1 mil toneladas de cacau comum e 150 de cacau tipo 1, cujo acordo de comercialização firmado com a indústria de chocolates finos, chega a R$ 1 milhão. Até 2016, o Imaflora pretende conservar a floresta, recuperar áreas de preservação permanente e criar 100 propriedades-modelo com pecuária sustentável e cultivo de produtos não-madeireiros.

O Florestas de Valor também é realizado em Altamira, outro município na Terra do Meio; em Oriximiná e Alenquer, municípios da Calha Norte, na macro região do baixo rio Amazonas. Terra do Meio e Calha Norte concentram os maiores contínuos de Floresta Amazônica no Estado do Pará, mas sofrem com desmatamento crescente. Além de promover o uso sustentável da floresta, com a valorização dos produtos florestais não-madeireiros, o Imaflora busca conectar grupos que trabalham com os sistemas produtivos responsáveis com as empresas compradoras de produtos locais, como a borracha, babaçu, castanha e copaíba, a exemplo do que já ocorre com o cacau.

Desde 2009, há procura por alternativas de geração de renda para as comunidades tradicionais nas Reservas Extrativistas do Rio Xingu, do Rio Iriri e do Rio do Anfrísio - todas na Terra do Meio. Borracha, babaçu e castanha já são comercializados com empresas brasileiras. Na Calha Norte, o principal produto é o óleo da copaíba, insumo para a indústria de cosméticos. Desde 2011, quilombolas de Oriximiná venderam cerca de 3,3 mil litros de óleo de copaíba e atualmente mais seis empresas estão em contato com os extrativistas para estabelecer parcerias comerciais sem intermediários. Com o apoio do projeto, o acréscimo no preço do produto chega a 95% em relação ao período anterior. "Esse é um ganho econômico, social e ambiental, pois se evita que esses grupos trabalhem em parceria com empreendimentos que colaboram com o desmatamento", explicou Léo Ferreira.

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