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16/03/2011
Amazonia de Araquem e Atala

Um é fotógrafo, o outro é chef; em comum, além do renome internacional em suas áreas, os dois têm a paixão pela Amazônia. E é graças a ela que Araquém Alcântara e Alex Atala, os respectivos fotógrafo e chef, agora se reúnem no projeto do livro "A Amazônia de Araquém e Atala", que vai relatar, em textos, fotografias e delícias gastronômicas, vivências e impressões pessoais de ambos sobre a região. Em novembro de 2010, os dois iniciaram uma série de viagens pelo Norte do País para coletar registros fotográficos e culturais, e este mês o itinerário deles passa pelo Amazonas.

Por aqui, Araquém e Atala deverão viajar pelo rio Negro até São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros da capital), onde irão visitar comunidades na fronteira do Estado. "Vamos nos batalhões em São Joaquim, comunidade do rio Içana onde vivem os índios Baniwa, a Cucuí, e a Maturacá, terra dos Yanomami", conta Araquém, que chega hoje a Manaus.

A viagem, acresce o fotógrafo, inclui ainda restaurantes na capital ("Vamos encontrar o chef Felipe Schaedler no Banzeiro", adianta ele), reservas extrativistas (inclusive a do rio Unini, no Parque Nacional do Jaú) e outras cidades. "Não dá para deixar de fotografar Presidente Figueiredo, suas cachoeiras fantásticas e seu galo da serra", cita ele, que deverá dividir o extenso roteiro em outras etapas. "Muitas coisas não serão feitas desta vez. Vou preparar uma segunda viagem, talvez para maio. Depois do rio Negro, vamos para o Pará e o Amapá", diz.

Beleza e devastação sendo fruto dos registros pessoais de Araquém e Atala, os textos, imagens e regalos gastronômicos que serão reunidos na obra irão revelar não só o lado exuberante da região amazônica, mas também problemas como a pobreza ou a destruição dos recursos naturais. "É um livro pop, tem a luz e as trevas, tem de tudo, até prostituição. Não é só exuberância, muito menos o que esperam da gente de beleza. Tem um certo choque. Vamos discutir mesmo, falar de nossa experiência", comenta Araquém, que cita temas como "a devastação, a miséria, a poluição, os contrastes da região". "O livro tem a ideia de buscar oportunidades, de sugerir novos rumos para a Amazônia.

Usamos nosso 'crédito' com o público para discutir a região". Iniciativa Araquém e Atala acalentam o projeto da obra há algum tempo. "Conversamos três anos atrás, e resolvemos que, se nós extraímos benefícios da Amazônia, por que não fazer uma obra para o mundo inteiro, falando sobre a região de um modo diferente? Livros sobre a Amazônia podem ser chatos, repetitivos, e nós podemos fazer um livro top, falando de nossas impressões e vivências sobre ela", recorda o fotógrafo, lembrando que sua arte e a de Atala têm algo em comum: "A gastronomia é base da cultura, e a fotografia, pelo testemunho visual, tem ligação com ela pela beleza".

O trabalho da dupla na documentação segue até agosto. Logo após, eles se unem a uma equipe de 14 pessoas para o trabalho de produção gráfica do livro, que sairá em edição trilíngue - português, inglês e espanhol - pela TerraBrasil, editora de Araquém, com 240 páginas. A obra já tem data e local de lançamento: será no dia 8 de dezembro, no restaurante D.O.M. - de Atala, claro - em São Paulo.

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