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O Globo, O Pais, p.12
12/10/2005
Amazonia: seca e incendios isolam cidades

Amazônia: seca e incêndios isolam cidades

Forças Armadas vão distribuir cestas básicas, água potável e remédios para vítimas de calamidade pública
A Secretaria Nacional da Defesa Civil informou ontem que vai enviar 50 mil cestas básicas e água potável para os moradores de áreas isoladas nos municípios atingidos pela seca na Amazônia. O Ministério da Saúde também vai mandar kits de remédios para o atendimento a três mil pessoas durante um mês. Pelo menos 36 dos 62 municípios do Amazonas estão isolados pela seca nos rios, o que levou o governador Eduardo Braga (PMDB) a decretar anteontem estado de calamidade pública.
Entre os municípios que receberão a ajuda, quatro decretaram estado de calamidade pública e outros 24 estão em estado de alerta. A previsão é que os kits sejam enviados até sexta-feira. Eles contêm antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios e antiparasitários.
Segundo a Defesa Civil, o material será levado de Manaus até as comunidades em helicópteros das Forças Armadas. Os rios da região, único meio de transporte dos ribeirinhos, estão intransitáveis, muitos deles completamente secos.
A situação é tão crítica que Braga enviou um relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, classificando a estiagem como a mais grave dos últimos 50 anos. Segundo o documento, a seca prolongada afetou a navegabilidade nos rios Madeira, Purus, Juruá, Javari, Iça e Jutaí. No trecho do Solimões entre Tefé e Tabatinga só é possível navegar de dia.
Ontem, o Ministério da Saúde enviou, numa balsa que saiu de Belém, nove toneladas de hipoclorito de sódio, produto usado na purificação da água consumida pela população de 914 comunidades de 28 municípios castigados pela estiagem no Amazonas.
Enquanto o Amazonas ainda enfrenta a seca, no Acre choveu ontem e a situação começou a voltar ao normal. O estado estava repleto de focos de incêndio e a fumaça atingia cidades.
Desde ontem pancadas de chuva atingem o estado. A seca e as queimadas já são consideradas sob controle pelo governo, principalmente porque o Rio Acre começou a voltar ao nível normal. Os 120 homens do Corpo de Bombeiros que foram deslocados de Brasília até Rio Branco, para ajudar no combate às queimadas e aos efeitos da seca dos rios, retornaram ontem ao Distrito Federal.
Situação é mais grave em cinco municípios
No Amazonas, a situação é mais grave em cinco municípios: Anori, Atalaia do Norte, Caapiranga, Manaquiri e Manicoré, onde falta comida, água e remédios. As escolas estão fechadas por tempo indeterminado, já que as embarcações que transportavam as crianças deixaram de operar.
Os cinco municípios ficam na calha do Solimões, o maior do mundo em vazante de água e que está muitos metros abaixo do nível normal. A navegação noturna já foi proibida pela Marinha. Uma das causas da estiagem na região pode ser o desmatamento de florestas em áreas peruanas que fazem fronteira com o Amazonas.
A Defesa Civil está cadastrando as famílias que serão socorridas prioritariamente. O atendimento será feito com um caminhão fabricado especialmente para o Corpo de Bombeiros e que trafega em qualquer terreno. O leito seco dos rios será usado por motos. Elas levarão hipoclorito de sódio e tintura de iodo para adicionar à água e torná-la potável.
A seca também afetou a navegação em Rondônia. O Rio Madeira, principal afluente à direita do Amazonas, está mais de quatro metros abaixo do nível normal, o que dificulta o transporte de toneladas de soja, arroz, feijão, milho, açúcar e madeira para o município de Itacoatiara, na Amazônia. O porto costuma despachar comboios de 12 balsas que transportam 24 mil toneladas. Com a seca, saem no máximo nove balsas, com oito mil toneladas.
No Pará, pelo menos 180 focos de calor foram detectados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do satélite NOAA. É um dos maiores índices registrados no estado nos últimos 30 dias. Os focos de calor indicam queimadas. Para agravar a situação, pelo menos em sete focos o incêndio atinge áreas de preservação natural, como na reserva extrativista da Terra do Meio, em Altamira.
O fogo também atinge a reserva biológica Rio Trombetas, em Oriximiná; a Floresta Nacional Saracá-Taquera e o Parque Nacional em São Félix do Xingu; a Floresta Nacional do Caxiuanã, em Gurupá; a Floresta Nacional do Tapajós, em Rurópolis e a reserva biológica Tapirapé, em Marabá.
A situação de queimadas pode se agravar ainda mais porque o índice de chuvas ainda é muito baixo em diversos municípios paraenses. Em Altamira, Anapu e Porto de Moz, que ficam na chamada Terra do Meio, no Xingu, não chove há 40 dias, segundo o Inpe. Situação mais grave vivem os municípios de Paragominas, Medicilândia e Ulianópolis, onde não chove há 60 dias.

O Globo, 12/10/2005, O País, p. 12