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FSP, Cotidiano
25/05/2005
Anulada ordem de SC que liberava corte de arvores

Anulada ordem de SC que liberava corte de árvores
Governo tinha autorizado desmatar área que pode virar parque

Após intervenção do Ibama (agência ambiental federal), o governo de Santa Catarina recuou e cancelou ontem quatro autorizações dadas em março para corte de vegetação em uma área onde o Ministério do Meio Ambiente estuda implantar o Parque Nacional de Proteção às Araucárias.
Uma portaria federal de 2002 suspendeu no local a implantação e a expansão de área de reflorestamento com espécies exóticas (como pinus) "até que sejam realizados estudos conclusivos". O objetivo era evitar que a área, que fica em um terreno particular, recebesse autorização para ser desmatada antes da criação do parque.
Porém, em março passado, a empresa dona do terreno conseguiu na Fatma (órgão ambiental do governo estadual) licença para fazer o corte e plantar pinus, cuja madeira seria comercializada.
O coordenador regional da Fatma Júlio César do Prado- que assinou as quatro autorizações em março e ontem as cancelou- admitiu o erro e disse ter sido "passado para trás" pelo engenheiro que vistoriou a área.
Segundo ele, nenhuma árvore foi tirada. No total, seriam desmatados 111,95 hectares (1,1 milhão de metros quadrados) de floresta.
Na semana passada, a ministra Marina Silva afirmou que a intenção é criar em Santa Catarina três UCs (unidades de conservação) em áreas de floresta de araucária.
Mas o governo Luiz Henrique da Silveira (PMDB) enviou à Presidência há duas semanas documento no qual pede a revisão do processo de implantação dessas unidades. "Infelizmente, licenças para desmatar em áreas de preservação têm sido encontradas até com certa freqüência. No ano passado, fizemos operações para fiscalizar essa questão", disse Marcelo Kammers, chefe de fiscalização do Ibama.
Segundo ele, os maiores desmatamentos ocorrem em áreas de remanescentes de mata atlântica e são promovidos por grandes empresas para o avanço de pinus. O dono das áreas que tiveram a autorização indevida para supressão de vegetação, Leonir Marcon, admitiu que a intenção era fazer o plantio de pinus no local.
"Nossa área é insignificante e nada vai acrescentar ao parque. As araucárias praticamente não existem, já foram tiradas há muitos anos", justificou. Ele disse também que sua empresa foi a única a parar de plantar na área.

FSP, 25/05/2005, Cotidiano