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Instituto Mamiraua - http://www.mamiraua.org.br
27/07/2017
Area em reserva ambiental do Amazonas demonstra potencial para producao de andiroba

Nativa da Amazônia, a andiroba é conhecida na região pelo uso medicinal do óleo extraído de sua semente. Contra infecções, para a cicatrização ou como repelente de insetos, muitos são os usos populares tradicionais. Mas, para a extração deste recurso da floresta, é necessária a realização de pesquisas científicas que comprovem a viabilidade do manejo sustentável na região. Os resultados preliminares de uma pesquisa realizada no Instituto Mamirauá já demonstram o potencial de produtividade de duas áreas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.

A pesquisa é realizada desde 2014 nas áreas da Reserva Mamirauá, com a participação e colaboração dos moradores locais. Foi avaliada a produtividade de sementes de 23 árvores nas comunidades Nova Jerusalém e Batalha de Baixo. Em quase dez meses de monitoramento nas duas áreas, foram coletadas mais de 11 mil sementes, número que os pesquisadores apontam como expressivo. Do número total de sementes, 84,5% estavam sadias e em boas condições para extração do óleo. As demais estavam estragadas, germinadas ou prejudicadas por pragas.

"É importante saber a produtividade de um andirobal para estimar a produção de óleo, se tiver interesse de produção, e o período de maior incidência de produção de sementes, por que é uma estratégia de manejo", comentou Emanuelle Pinto, engenheira florestal do Instituto Mamirauá, que atua como unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e comunicações.

Emanuelle ressalta que, na pesquisa, também são coletadas informações sobre a ecologia da área, como animais que se alimentam das sementes de andiroba. "Quando se planeja manejar algum recurso natural para produzir, é interessante pensar ecologicamente também. Uma estratégia de manejo para as andirobeiras, é pensar que no período em que a área menos produz, esta produção seja reservada para alimentação dos animais", disse.

Os meses que tiveram maior produtividade foram abril, maio e junho, período mais chuvoso do ano nesta região. As sementes são coletadas quinzenalmente com a participação de bolsistas contratados pelo projeto, que são jovens das comunidades ribeirinhas da região. Para a coleta, foram instaladas redes abaixo da copa das árvores, para reter as sementes que caírem. A estratégia foi desenvolvida como uma alternativa para o período da cheia, em que as sementes se dispersam pela floresta inundada.

O monitoramento será realizado por mais um ano. E, em 2017, uma nova etapa da pesquisa foi iniciada, com foco na avaliação da viabilidade econômica da comercialização do óleo de andiroba no município de Tefé. De acordo com Emanuelle, nas comunidades contempladas pela pesquisa, a extração do óleo da semente de andiroba é para fins medicinais e para uso das famílias, dificilmente realizada para comercialização.

Outra iniciativa desta pesquisa que está programada para este ano são os testes de uma máquina para extração do óleo de andiroba, que está sendo desenvolvida por técnicos do Instituto, visando obter uma tecnologia eficiente e que poupe tempo e energia para a realização da atividade pelos comunitários. Essas ações têm o financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Publicação

Neste mês, foi publicado um livro com metodologias de pesquisa para o manejo de produtos florestais não madeireiros pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O livro conta com um capítulo assinado pela engenheira florestal do Instituto Mamirauá.

A contribuição de Emanuelle foi no estabelecimento de uma metodologia padrão para avaliação biométrica de sementes e frutos de andiroba, ou seja, para medição e pesagem. De acordo com Ana Cláudia Lira-Guedes, uma das pesquisadoras responsável pela publicação, o livro foi organizado a partir das experiências na realização de pesquisas científicas da Rede Kamukaia, liderada pela Embrapa. A proposta é que as metodologias possam ser reaplicadas por outras equipes, de forma a facilitar a comparação de resultados pelos pesquisadores.

"Trabalhar com não madeireiros ainda é uma tarefa complexa, principalmente na Amazônia. Para manejar a floresta é preciso conhecê-la. O livro traz metodologias de fácil aplicabilidade, auxiliando os pesquisadores tanto em campo como em laboratório", explicou Ana Lira-Guedes.

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