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ICMBio - www.icmbio.gov.br
26/09/2008
Comeca o defeso das tartarugas-da-amazonia

As equipes de fiscalização e de pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciaram, este mês, a fiscalização e o manejo das tartarugas-da-amazônia. O trabalho, que deve prosseguir até o fim de dezembro, é realizado todo ano no último trimestre, época em que as tartarugas-da-amazônia buscam a região dos Tabuleiros, praias localizadas nas margens do rio Trombetas, Pará, dentro da Reserva Biológica (Rebio), para se reproduzirem.

É nessa época que fiscais e pesquisadores do Instituto Chico Mendes realizam, nas comunidades locais, o trabalho educativo-pedagógico de preservação dos quelônios que buscam no rio Trombetas e na Floresta Nacional Saracá-Taquera os ambientes adequados para a desova.

De acordo com informações da Rebio do Rio Trombetas, existem dez espécies de tartarugas, destacando-se entre elas a tartaruga-da-amazônia, o pitiú e o tracajá. Enquanto as tartarugas-da-amazônia recorrem aos Tabuleiros para a desova, as fêmeas dos pitiús e dos tracajás escolhem, principalmente, as praias e os barrancos de lagos, como as do Lago Erepecu.

Na época da postura todo cuidado é pouco, uma vez que, na busca pelo local ideal para a desova, as fêmeas tornam-se presas fáceis dos predadores. Elas preferem locais silenciosos e desertos e qualquer sinal de tumulto prejudica a reprodução.

Sensibilidade e conscientização - Durante a desova, a tartaruga-da-amazônia é muito sensível ao barulho e à agitação. Os ruídos afugentam as fêmeas que podem deixar de subir nas praias para desovar. Por isso, de setembro a dezembro, as embarcações não podem trafegar na área dos Tabuleiros no período noturno, com exceção de casos de emergência, como, por exemplo, transporte de doentes das comunidades da região.

Segundo estudos dos pesquisadores do Projeto Quelônios da Amazônia, desenvolvido pelo Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios (RAN) do ICMBio, o ideal é não mexer nos ninhos. No entanto, nas áreas em que há risco de roubo ou de inundação, os ovos são transferidos para duas praias próximas da Base Tabuleiro da Rebio, nas quais o trabalho de proteção desenvolvido pela equipe do Instituto Chico Mendes fica mais fácil.

Nas comunidades já existe conscientização sobre a importância de preservar os quelônios. Desde 2003, é desenvolvido no Lago Erepecu o Projeto Quelônios Comunidade, uma parceria da comunidade Último Quilombo do Erepecu com o ICMBio, que conta com apoio da Mineração Rio do Norte - MRN.

Este ano, a comunidade ajudará a proteger quatro praias de desova de tracajá e pitiú. Outras comunidades na região dos Tabuleiros, são convidadas a visitar a área de proteção, conhecendo o trabalho desenvolvido e participando de atividades, como soltura de filhotes.

Não só na época de reprodução, mas durante todo o ano, são realizadas pesquisas sobre as tartarugas-da-amazônia, tracajás e pitiús. Conhecer os hábitos de vida e a reprodução dos quelônios é importante para a conservação desses animais. As pesquisas são feitas por profissionais de várias instituições, a partir da parceria do ICMBio com as universidades.

A educação ambiental também faz parte das ações das unidades de conservação. Na temporada dos quelônios são feitas atividades com as escolas, com produção de material didático e de divulgação, reuniões e excursões com a comunidade, professores e alunos.

Histórico e pesquisas - Na década de 1970, quando houve o alerta de que a tartaruga-da-amazônia corria risco de extinção, foi criado, em 1979, o Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia, que estabeleceu sede em Goiânia e passou a desenvolver um trabalho de conservação e proteção dos animais.

Com o Projeto Quelônios, o Centro selecionou 115 sítios reprodutivos de répteis terrestres da ordem Testudinata (tartarugas, cágados e jabutis) no País e a partir do ano 2000 a atuação foi ampliada, agregando todos os outros grupos de répteis e de anfíbios.