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Instituto Mamiraua - http://www.mamiraua.org.br
18/11/2015
Compartilhando Saberes: o novo documentario do Instituto Mamiraua

Mais de um ano de produção, duas viagens pelas Reservas Mamirauá e Amanã e cerca de 30 pessoas envolvidas, entre produtores, diretores e personagens. Esses números revelam parte dos bastidores do documentário "Compartilhando Saberes", a nova produção do Instituto Mamirauá, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Finep e Fundo Amazônia. O vídeo dura 40 minutos e retrata as iniciativas com o manejo de pirarucu, turismo de base comunitária, agentes ambientais voluntários e sistema de abastecimento de água. Assista aos documentários aqui.

Segundo Antonio Stickel, diretor de fotografia, o trabalho foi gratificante e sua dimensão o impressionou: "Trabalhar para o Mamirauá foi muito gratificante. Não tinha ideia da magnitude e fiquei impressionado com a abrangência do Instituto. Entrevistei pessoas muito engajadas, motivadas e conscientes do trabalho que estão realizando. O Instituto espalha esta semente de engajamento social, político e ecológico, empoderando, não somente às comunidades, mas todos que entram em contato com o instituto".

"Compartilhando Saberes apresenta algumas das ações desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá em parceria com as comunidades das Reservas Mamirauá e Amanã. A ideia é disseminar algumas práticas que temos adotado em prol da conservação da biodiversidade, com gestão participativa. Esperamos que seja útil para quem deseja reaplicar em outras áreas", disse Isabel Soares de Sousa, Diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá.

A primeira expedição ocorreu em março de 2014 e durou oito dias. O foco dessa primeira viagem foi acompanhar a instalação do Sistema de Abastecimento de Água movido a energia solar fotovoltaica. Painéis fotovoltaicos são colocados no rio, sobre balsas flutuantes, e para gerar energia e bombear a água para um reservatório elevado. A caixa d'água é conectada a um filtro de areia que realiza um pré-tratamento da água e a remoção de resíduos. Após a filtração, usando um filtro lento, a água é distribuída por gravidade para a comunidade.

Segundo Otacílio Brito, técnico do Programa Qualidade de Vida, que implementa a tecnologia, o sistema traz benefícios para as comunidades, com a melhoria da qualidade de vida, e motivação: "Nas comunidades que nós já implantamos os sistemas, as pessoas se sentem valorizadas, se sentem gente. Onde não tem água encanada as pessoas acham que a modernidade não chegou na sua vida". O sistema venceu o Prêmio Finep de Inovação 2012, na categoria Tecnologia Social.

Nessa mesma expedição, foram realizadas gravações na Pousada Uacari, uma iniciativa de Turismo de Base Comunitária gerida pelo Instituto Mamirauá. Até 2022, a Pousada Uacari será de gestão das comunidades, para isso, o Instituto Mamirauá atua para fortalecer o empoderamento dos moradores quanto à gestão do empreendimento. "Isso aqui é meu e eu vou tomar de posse. Eu acredito que vai ter esse olhar, essa valorização, e o cuidado com o patrimônio. E a comunidade vai se sentir o empresário, então agora nós temos que cuidar do que é nosso", disse Ednelza Martins, gerente da Pousada Uacari.

Durante seus depoimentos, o supervisor Antônio Coelho Rodrigues e a copeira Deuzeny de Oliveira Martins falaram da experiência em trabalhar na Pousada e o que descobriram. "Eu nunca imaginei que conseguiria, que eu ia trabalhar em turismo um dia, que a minha vocação nunca era isso", disse Antônio. "Hoje eu tenho conhecimento de algumas coisas que eu não imaginava ter na minha vida. Trabalhando aqui eu descobri que era capaz de assumir alguma outra função", reforçou Deuzeny.

A pesca e os protetores da floresta

A segunda expedição iniciou com o calendário do manejo de pirarucu e ocorreu em novembro de 2014. Entre os depoimentos, que narram o sucesso do manejo de pirarucu nas Reservas Mamirauá e Amanã, o do pescador José Amaral, da Comunidade São João do Ipecaçu, que expressa a relação de parceria entre o Instituto Mamirauá e as comunidades: "rapaz, o Mamirauá tem ensinado nós e nós temos ensinado eles da parte dos trabalhos que nós sabe por aí".
Além do manejo, a equipe também pôde registrar a rotina e o trabalho dos Agentes Ambientais Voluntários, os moradores das Reservas Mamirauá e Amanã que atuam como verdadeiros protetores da floresta. Entre os personagens, está o Gestor da Reserva Mamirauá, que falou da importância do programa, que tem o financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. "A gente diz que o agente ambiental deve ser educado para a vida, e para a vida a gente precisa ter vários elementos, seja o conhecimento da legitimidade, da organização social, da cidadania, na verdade, é uma formação para a cidadania, para que ele repasse esses conhecimentos nas suas comunidades, nos seus setores", afirmou Raimundo Ribeiro.

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