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GAZETA Online
15/11/2007
Comunidades amazonicas exploram pirarucu de forma sustentavel

Um gigante dos rios, cobiçado por sua carne rica e que pode pesar até 250 quilos, é explorado de forma sustentável por comunidades ribeirinhas do Amazonas, que tiram proveito da pesca sem ameaçar a sobrevivência da espécie.

Conhecido como o bacalhau da Amazônia, este peixe que chega a alcançar três metros de comprimento é conhecido pelos brasileiros como pirarucu (Arapaima gigas) e pelos peruanos como "paiche".

Seu nome vem da palavra indígena "pira", que significa peixe, e "urucum", vermelho, cor característica da cauda desta espécie, considerada a maior de água doce das Américas.

Quase tudo é aproveitável neste vertebrado, desde a pele, usada para a produção de sapatos e bolsas, até as escamas, utilizadas como lixa de unhas e na fabricação de ornamentos.

Já sua língua, dura e áspera, é usada para ralar a fruta do guaraná.

O pirarucu, espécie que também é encontrada na Austrália e na África, vive em águas tranqüilas de lagos, canais ou rios de pouca correnteza e que tenham temperaturas entre 24° e 37° C.

Alimento tradicional das populações ribeirinhas da região norte é um peixe de carne suave e quase sem espinhas, que por seu tamanho representa um recurso alimentar importante, seja fresco ou seco ao sol.

O medo de sua extinção levou o estado do Amazonas a regular sua pesca, restrita a áreas definidas: o município de Fonte Boa, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Reserva Extrativista Auatí-Paraná.

Em 2005, estas comunidades capturaram cerca de 7.300 peixes e no ano passado tinham permitida uma cota de 30.000, o que representava cerca de 1.200 toneladas de peixe.

Segundo o Ibama, a gestão do pirarucu é realizada de forma sustentável desde 1999, quando pela primeira vez foram aplicados métodos para supervisionar a população de peixes nos lagos situados em áreas de conservação.

Em 2006, o Ibama ampliou as autorizações de pesca para a comunidade de São João do Araçá, em Itacoatiara, a 350 quilômetros de Manaus.

A comunidade podia retirar no primeiro ano 50 pirarucus adultos, em uma campanha supervisionada por técnicos do Ibama e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e este ano tem permissão para capturar 64 exemplares.

Há dez anos, os mais de 280 moradores de São João do Araçá se uniram para combater a pesca predatória do pirarucu garantindo a manutenção da espécie no Babaçu, um dos quatro lagos que rodeiam a comunidade.

Com a transformação de lago em área de preservação, destinada apenas à reprodução da espécie, os outros três lagos que existem na região - Araçá, Juquiri e Sardinha - foram designados para a pesca de subsistência dos moradores.

Segundo Gélson da Silva Batista, membro da Associação de Engenheiros de Pesca do Amazonas, a iniciativa dos moradores de São João do Araçá de cumprir de forma efetiva o acordo para manter o lago Babaçu como área de procriação foi a principal razão para o êxito, embora incipiente, do projeto de gestão do peixe nesta região.

No último fim de semana, a comunidade iniciou a segunda pesca controlada de pirarucu e capturou oito peixes de mais de 1,5 metro e com um peso mínimo de 30 quilos cada.

Os pescadores retiravam o estômago dos peixes capturados e antes de serem colocados à venda - a um preço médio de R$ 8 o quilo - os marcavam com uma identificação de origem, com suas características, o local de pesca, peso e tamanho, o que permite ao consumidor saber que sua captura estava autorizada.