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Agencia Brasil
16/11/2007
Contagem revela reducao de 25% dos pirarucus adultos em lagos de municipio amazonense

O trabalho dos pescadores responsáveis pela contagem dos pirarucus nos lagos Purema e Preto, localizados no município de Silves (AM), terminou ontem (15) e, segundo o chefe do Instituto Braileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na região, João Vieira, apesar de o número de peixes adultos contabilizados neste ano ter sido inferior ao ano passado, o manejo da espécie na região está garantido.

"A contagem revelou uma diminuição de 25% de peixes adultos. Ainda não podemos precisar as causas disso, mas sabemos que entre a contagem do ano passado e a deste ano, o local sofreu com a invasão de pescadores não autorizados, que desrespeitaram as normas do acordo existente. A presença de gado no local também pode estar contribuindo para essa redução, porque os rebanhos vivem na beira dos lagos, causam impacto no solo e comem o capim que serviria de alimento para os peixes quando o nível das águas sobe", explicou Vieira.

Neste ano, foram registrados no local 593 pirarucus, contra 695 em 2006. A partir deste resultado, segundo Vieira, o Ibama deverá reforçar a fiscalização da área, para evitar a pesca clandestina, e também verificar o que fazer se for constatada a interferência do gado. Esse trabalho terá o apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, entre outras instituições.

A atividade dos pescadores de Silves conclui um ciclo iniciado em setembro no estado, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no município de Tefé. Todos os anos, a contagem segue pelas reservas extrativistas e municípios que possuem acordos de pesca, como Itacoatiara e Silva, incluídos na lista autorizada pelo Ibama para o manejo do pirarucu no estado, ou seja, para a pesca controlada - é respeitado o período de retirada do animal do meio ambiente, sem prejudicar o crescimento dos filhotes ou a reprodução dos adultos.

Gelson Batista, especialista em manejo de recurso pesqueiro, explicou que o trabalho começa em Tefé porque lá o nível das águas diminui antes dos outros municípios. "A época ideal para a contagem varia de acordo com a redução do nível das águas dos rios em cada município. O momento ideal é quando os lagos estão isolados e os pirarucus não têm contato com o canal principal dos rios, ficando assim concentrados nesses lagos. Depois disso, o trabalho só poderá se repetir no próximo ano, quando o processo natural volta a acontecer. Tudo isso os contadores de Mamirauá têm levado para outros pescadores, que repassam o conhecimento a suas comunidades", disse.

Após a conclusão da contagem, os pescadores iniciarão, no domingo (18), a pesca autorizada pelo Ibama e que prevê 30% do total de peixes adultos. Nos dois dias seguintes os peixes serão vendidos a R$ 4 o quilo e o lucro reverterá para os pescadores e moradores da comunidade que participam da atividade de manejo.