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Jornal Cruzeiro - http://www.jornalcruzeiro.com.br
13/08/2015
CPI da Petrobras pode apurar caso da turbina na Flona

Integrante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, o deputado federal Jefferson Campos (PSD) pedirá à CPI da Petrobras que apure a informação de que uma turbina instalada na Floresta Nacional de Ipanema (Flona), em Iperó, teria sido bancada com recursos da Engevix, empreiteira investigada dentro da Operação Lava-Jato. O fato foi noticiado na edição de quinta-feira (13) do jornal Cruzeiro do Sul.

Com base na reportagem, o parlamenter também deverá requerer ao Ministério da Defesa informações sobre o suposto desvio de finalidade dentro das instalações do Centro Experimental de Aramar onde, segundo consta, o equipamento teria passado por serviços de manutenção a pedido do vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, proprietário da Aratec Engenharia, que se associou à idealizadora do experimento, Hidrogeradores & Energia (HG).

Jefferson considerou as denúncias contidas na reportagem "extremamente graves" e disse "achar estranho" que o protótipo do invento tenha entrado na unidade da Marinha, dentro da qual é desenvolvido o projeto do submarino nuclear brasileiro, aparentemente sem nenhum controle.
Da mesma forma, quer saber como a turbina foi instalada na Floresta, outro espaço público. "É preciso saber quem autorizou o procedimento e em que bases o seu uso e sua aplicação foram discutidos". Segundo o próprio ICMBio respondeu ao jornal, os entendimentos com esse propósito foram mantidos "com técnicos da Hydrel", empresa que consta pertencer a Othon Pinheiro.

A máquina, ainda de acordo com a resposta do Instituto, se encontra em fase de testes e sua cessão se deu a custo zero, já que se trata de empreitada voltada à pesquisa e ao desenvolvimento. Para o deputado a questão não se resume a saber se houve, ou não, pagamento. "Nós estamos falando de uma tratativa que envolveu maquinário cuja pesquisa pode ter sido bancada por propinas. Até que ponto outras negociações conduzidas por essas companhias aqui na região não se valeram do mesmo expediente?", questionou.

Jefferson Campos deverá propor que parlamentares da Comissão de Defesa Nacional da Câmara façam uma visita à Flona para inspecionar a turbina e não descarta a possibilidade de convocar o ministro da Defesa, Jacques Vagner, para prestar esclarecimentos sobre as práticas noticiadas.

O caso

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal dentro da Operação Radioatividade apontaram que os projetos de pesquisa e de execução da turbina idealizada pela HG), que entre seus sócios o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, podem ter sido custeados em parte com dinheiro da Engevix, uma das empreiteiras suspeitas de corrupção em operações da Petrobras. Estima-se que as transferências tenham somado cerca de R$ 1 milhão.

A empresa tenta conseguir junto à Controladoria Geral da União (CGU) acordo para reduzir eventuais punições, caso seja condenada pela Justiça e admitiu que utilizou contratos de fachada para transferir dinheiro à empresa Aratec Engenharia, de Othon Pinheiro. Um dos diretores da empreiteira disse que os aportes realizados financiariam o projeto de desenvolvimento de turbinas hidráulicas de geração de energia da empresa Hydel - Hidro Eletricidade, também do almirante.

As transferências foram operadas pela Link, empresa de fachada. Já a Engevix foi contratada pela Eletronuclear, presidida à época por Othon, a partir de "licitações públicas acirradas", conforme declarou um de seus executivos à PF, e teria investido R$ 1 milhão, ao longo de 4 anos atendendo às necessidades e ao cronograma da pesquisa.

Essa informação foi confirmada em depoimento de Victor Colavitti, presidente da Link, que se tornou delator da Lava Jato. Colavitti disse que sua empresa foi usada como intermediária para o repasse de pelo menos R$ 765 mil, entre 2010 e 2014, para a Aratec Engenharia. A equipe de procuradores do Ministério Público Federal e de delegados da Polícia Federal suspeita de que Othon Pinheiro teria recebido um total de US$ 30 milhões. Destes, R$ 4,5 milhões foram rastreados na conta de sua empresa. Ele nega.

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