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FSP, Ciencia, p. B7
09/04/2017
Fernando de Noronha vai ganhar centro de pesquisas em 2018

Fernando de Noronha vai ganhar centro de pesquisas em 2018

NAIEF HADDAD
ENVIADO ESPECIAL A FERNANDO DE NORONHA (PE)

O arquipélago de Fernando de Noronha é dominado por gente que aproveita as praias ou ganha a vida com o fascínio que elas despertam.
São turistas, mergulhadores, donos de pousadas e restaurantes, comerciantes.
Agora é a vez dos pesquisadores, que irão fincar os pés nas ilhas que pertencem ao Estado de Pernambuco.
Fernando de Noronha terá uma estação científica, com previsão de abertura em 2018.
Entre os postos de pesquisa mantidos pela Marinha em ilhas do Atlântico, esse será o maior, com capacidade inicial para receber até 16 pesquisadores simultaneamente.
As outras estruturas voltadas aos estudos científicos na chamada "Amazônia Azul" (o território marítimo brasileiro) ficam na ilha de Trindade, que recebe até oito pesquisadores, e no arquipélago de São Pedro e São Paulo, com quatro, no máximo.
Assim como essas duas, a nova estação será erguida por uma iniciativa da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), grupo cuja coordenação fica a cargo do comando da Marinha.
O plano começou a ganhar corpo em 2013, quando representantes da CIRM convidaram o Escritório Modelo do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio para a concepção do projeto.
A aproximação entre as duas entidades ocorreu após a universidade obter menção honrosa no concurso promovido pela Marinha para escolher o projeto arquitetônico da estação do Brasil na Antártida (a empresa Estudio 41, de Curitiba, foi a vencedora).
Voltado a projetos de cunhos cultural, social e acadêmico, o escritório da PUC é formado por professores e alunos, sob a supervisão da arquiteta Vera Hazan. A parceria da CIRM com a universidade não envolve remuneração.
O projeto da PUC-Rio está em fase final de avaliação pela Marinha e por membros da comunidade acadêmica.
Não há, por ora, uma estimativa de custo para a construção da estação.
De acordo com o capitão-de-corveta Marco Antonio Carvalho de Souza, coordenador do programa Proarquipélago, ligado ao CIRM, a Marinha está em contato com empresas para que sejam feitas doações de material para a construção.
Carvalho de Souza estima um custo de manutenção de R$ 700 mil por ano. Para efeito de comparação, a Marinha gasta cerca de R$ 2 milhões anuais com a base de São Pedro e São Paulo, dos quais R$ 1,5 milhão se destina ao transporte, que só pode ser feito por meio de navios e barcos.
No caso de Noronha, os deslocamentos serão realizados, sobretudo, por via área.
A estação será erguida a cerca de 300 m do principal porto do arquipélago. O terreno tem, ao fundo, uma colina sobre a qual está a capela de São Pedro. Para não comprometer a vista da igreja, a construção em madeira terá, no máximo, 7 m de altura. A área construída, que inclui ainda a capitania dos portos, ocupará 1.380 m², um pouco maior do que um campo de futebol.
CNPQ
Os pesquisadores interessados em estudos no arquipélago terão que recorrer ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que publicará um edital com a lista dos requisitos necessários.
Será o mesmo modelo utilizado pelo órgão do governo federal para quem pretende fazer pesquisas em São Pedro e São Paulo e em Trindade.
Entre os inscritos nas duas estações já existentes, há predomínio de biólogos, mas profissionais de outras áreas também podem participar.
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Por dentro da estação científica
Previsão de abertura do espaço, uma parceria da Marinha com a PUC-Rio, é 2018
CAPACIDADE
A estação será usada inicialmente por 16 pesquisadores
O QUE A ESTAÇÃO TERÁ
> 3 laboratórios
> 3 quartos
> 2 auditórios
> 2 espaços de convívio
> 2 vestiários
> Departamento de mergulho
> Espaço de exposições
COMO SERÁ O TRANSPORTE DOS MÓDULOS DE CONSTRUÇÃO
Navio do porto de Natal às imediações de Fernando de Noronha
Bote das proximidades de Noronha ao porto da ilha
Caminhão do porto ao terreno onde será construído
PROJETO CONTEMPLA RECURSOS SUSTENTÁVEIS
> Captação de energia por meio de placas fotovoltaicas
> Captação da água da chuva
> Reúso da água de esgoto
> Prioridade à iluminação natural
O jornalista NAIEF HADDAD viajou a convite da Marinha do Brasil

FSP, 09/04/2017, Ciência, p. B7

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/04/1873816-fernando-de-noronh...