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OESP, Vida, p. A20
10/09/2011
Fogo causado pelo clima seco destroi 3 reservas e cria nuvem de fumaca no DF

Fogo causado pelo clima seco destrói 3 reservas e cria nuvem de fumaça no DF
Baixa visibilidade prejudica aeroporto e governo local decreta estado de alerta por 48 horas; aviões especializados ajudam bombeiros a conter as chamas na região, onde pelo menos 10 mil hectares foram queimados em consequência da baixa umidade

Leandro Colon / BRASÍLIA

A forte seca que toma conta de Brasília nos últimos dois meses provocou incêndios de grandes proporções em três áreas de preservação.
A capital federal amanheceu sob fumaça e o governo local decretou estado de alerta por 48 horas. Pelo menos 10 mil hectares foram queimados neste ano em consequência da baixa umidade do ar, contra 8,9 mil hectares no ano passado. Diante da situação alarmante, aviões especializados estão sendo usados desde ontem para auxiliar os bombeiros no combate aos incêndios.
Uma das áreas mais devastadas pelo fogo foi a reserva ecológica do IBGE, que tem 1,3 mil hectares. Na mesma proporção, foram atingidas a Base Aérea e a Floresta Nacional. O Aeroporto de Brasília chegou a operar com a ajuda de instrumentos na madrugada de ontem por falta de visibilidade em decorrência da fumaça.
"É uma situação atípica", disse o coronel Luiz Tadeu Vilela Blum, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (DF). Ontem, a umidade do ar chegou a 13% em meio a uma temperatura de 32"C. Por duas vezes, desde agosto, a umidade caiu a 10% no DF. No entorno, onde há cidades de Goiás, o índice chegou aos 6%. Segundo a Defesa Civil, já são 90 dias sem chuva em Brasília.
Quem saiu às ruas ontem pela manhã percebeu imediatamente os efeitos dos incêndios. Os principais pontos turísticos da cidade, incluindo o Congresso Nacional, a Esplanada dos Ministérios e a ponte JK, amanheceram encobertos pela fumaça que vinha da mata. Algumas escolas suspenderam suas aulas e o trânsito foi prejudicado pelas consequências do fogo.
A reportagem do Estado acompanhou os trabalhos da equipe dos bombeiros na área de preservação do IBGE. Por volta das 12 horas, o fogo começou a crescer e chegou até a estrada, a BR-251, que corta a região. Carros e motos tiveram de desviar das labaredas às margens da rodovia. Os bombeiros desistiram de tentar apagar o fogo por terra e pediram ajuda aérea.
Na tarde de ontem, o governo do DF resolveu decretar estado de alerta. A decisão foi tomada porque, por três dias consecutivos, a umidade do ar ficou entre 12% e 20%. Foram suspensas, por exemplo, as atividades físicas ao ar livre nas escolas públicas entre 13 e 17 horas. Cerca de 600 mil alunos são atendidos pela rede pública de ensino do DF. O governo orientou as pessoas a não se expor ao sol entre 10 e 16 horas, a evitar aglomerações em ambientes fechados e a usar soro fisiológico para os olhos e as narinas. Uma nova avaliação será feita até amanhã, segundo o governo local.
"Este ano está bastante diferente, porque o período seco tem se mantido no mesmo patamar por muito tempo", avaliou o secretário de Estado de Defesa Civil, Paulo Roberto Matos.
Fogo. Desde anteontem, foram identificados pelo menos 45 focos de incêndio. Uma grande estrutura foi montada para conter o fogo no DF. Foram escalados 500 militares, 17 viaturas, 2 helicópteros e 4aviões, sendo 2 cedidos pelo Instituto Chico Mendes. O governo do DF anunciou que viabilizou a imediata operação do avião americano Air Tractor, modelo AT-802F. Com autonomia de quatro horas de voo, a aeronave é capaz de carregar até 3,1 mil litros de água.

Recuo
2.726 foi o número de focos de queimada no Estado de São Paulo entre 1o de janeiro e anteontem - uma queda de 5% em relação ao ano passado.

OESP, 10/09/2011, Vida, p. A20

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