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FSP, Cotidiano, p. C11
20/04/2005
Governo anuncia cinco reservas de protecao a araucaria no Parana

Governo anuncia cinco reservas de proteção à araucária no Paraná

Afra Balazina
Enviada especial a Campos do Jordão

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou ontem o envio à Casa Civil dos projetos de criação de cinco Unidades de Conservação (UCs) em áreas de florestas com araucárias no Paraná. Depois, os projetos irão a sanção presidencial. A ministra disse que serão feitas audiências públicas em Santa Catarina para viabilizar a criação de mais três UCs. A iniciativa, porém, não tem a aprovação do governo daquele Estado.
O anúncio foi feito na Semana da Mata Atlântica, em Campos do Jordão (SP) e que tem como tema neste ano a araucária. Segundo entidades ambientalistas, dos 200 mil km2 originais de florestas com araucárias, sobraram apenas cerca de 3%. E menos de 0,4% da cobertura original está protegida.
A Unidade de Conservação é um dos tipos de área protegida. Sua característica é possuir um conjunto único ou representativo das características naturais consideradas como relevantes.
"A araucária é símbolo do Paraná. A extinção de uma espécie que seja traz comprometimento irreversível na luta pela preservação", disse o secretário do Meio Ambiente do Paraná, Luiz Cheida.
Para a coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Miriam Prochnow, 40, a criação de Unidades de Conservação é uma medida concreta para proteger uma floresta ameaçada de extinção.
Entretanto, os ambientalistas ressaltam que só a criação das áreas não é suficiente. "A atual situação de parques e unidades de conservação com araucárias é desesperadora. Muitos não têm a questão fundiária resolvida e há invasões, falta pessoal para trabalhar e equipamentos", disse a integrante da entidade Amigos da Terra Kathya V. Monteiro, 43.
O fato de a madeira da araucária ser dura e leve, de excelente qualidade, contribuiu para a sua devastação: ela foi exaustivamente exportada e usada para a confecção de navios e dormentes de casas.
Já o governo de Santa Catarina enviou à Presidência da República na semana passada um documento no qual pede a revisão do processo de implantação da APA (Área de Proteção Ambiental) das Araucárias, do Parque Nacional de Proteção às Araucárias e da Estação Ecológica da Mata Preta.
Segundo o ofício, a criação dessas áreas irá afetar 12 municípios catarinenses "de grande importância socioeconômica", responsáveis por 18,6% da soja e 15,1% do trigo produzidos no Estado. Há 3.940 estabelecimentos agropecuários na região.
As unidades de conservação pretendem delimitar 445 mil hectares -cerca de 5% de Santa Catarina. "É um erro. Nós temos hoje o Estado mais bem dividido do Brasil: 85% das propriedades rurais têm até 15 hectares. Esse projeto vai quebrar a estrutura fundiária de Santa Catarina", afirma o secretário de Articulação Nacional do governo, Valdir Colato.
Os ambientalistas aproveitaram o evento para protestar contra a destruição de cerca de 4.000 hectares de florestas com araucárias que ocorrerá quando a hidrelétrica de Barra Grande começar a funcionar. Ela irá inundar o local, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.

FSP, 20/05/2005, Cotidiano, p. C11