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CB, Politica, p.7
28/04/2005
Irregularidades confirmadas

Ex-chefe da Divisão Técnica do Ibama em Santa Catarina reafirma à CPI da Biopirataria as denúncias de exploração ilegal de madeira, em convênio da autarquia com o MST, na Floresta Nacional de Três Barras
Irregularidades confirmadas
O ex-chefe da Divisão Técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (lhama) em Santa Catarina, Alberto de Paula Martins, reafirmou ontem à CPI da Biopirataria as denúncias de irregularidades no convênio firmado entre a autarquia e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a exploração da Floresta Nacional (Floria) de Três Barras (SC). Martins apresentou novos documentos e fotografias que registram a retirada de madeira verde da floresta. 0 servidor também pediu proteção a duas testemunhas convocadas pela CPI que estariam sofrendo ameaças em Canoinhas (SC), cidade mais próxima à fiona. A pedido do relator, deputado Sarney Filho (PV-MA), a comissão vai pedir ao Ministério da justiça e à Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina providências para garantir a proteção das testemunhas.
O ex-vigilante Evaldo Maçaneiro e o motorista Jair Kovalski, que prestaram serviços na Floria de Três Barras, afirmam estarem sendo ameaçados por madeireiros. Eles disseram ao Correio, em entrevista gravada, que, em 2003, foram retiradas cargas de madeira da floresta sem medição, sem notas fiscais e em locais escolhidos pelos madeireiros. O ex-chefe da flona naquele ano, Marcos César Silva, que também prestou depoimento à CPI ontem, declarou que apenas entregou a madeira que havia sido vendida na gestão anterior.
O vice-presidente nacional do Ibama, Luiz Fernando Merico, ex-gerente-executivo da autarquia em Santa Catarina e responsável pela assinatura do termo de cooperação técnica com o MST, foi o primeiro a
prestar depoimento ontem. Ele afirmou que as denúncias são consequência de medidas administrativas moralizadoras que adotou assim que assumiu o cargo no estado. Ele defendeu a legalidade do termo de cooperação e considerou "absurdas" a "fantasiosas" as afirmações de que o MST teria retirado madeira no valor aproximado de R$ 1 milhão da flona.
‘Não se fará um novo Ibama sem conflito. 0 velho vai querer desestabilizar o novo. Mas o novo virá como virá a primavera’, afirmou Merico, em tom poético. Ele acrescentou que "o mal sempre volta a quem o pratica Ele negou que tenha assinadado acordo contra um parecer jurídico do Ibama no estado. Disse que pediu um parecer do procurador da autarquia em Joinvile porque a Floria de Três Barras está subordinada a esse escritório regional. Sobre a possibilidade de ter ocorrido retirada ilegal de madeira pelo MST, o vice-presidente passou a responsabilidade, adiante: "Aos servidores da flona é que deve ser perguntado se o acordo foi bem executado. Mas sei que eles fizeram vistoria quando houve a denúncia, e afirmam que não há nada".
Questionado por que fel acordo com o MST, em vez i promover uma concorrência publica para explicar os restos madeira seca da floresta, Merico justificou: "Pelo simples fato de que eram eles que estavam lá’. Ele reconheceu, porém, que há morosidade na investigação das denúncias de irregularidades no Ibama. "É um problema do instituto. As investigações estão andando devagar", disse. Sobre as fotos publicadas no Correio e apresentadas por Martins ontem, o vice-presidente comentou: É uma foto de um carregamento de madeira. Mas a venda de madeira na floria foi suspensa em 2003".

CB, 28/04/2005, p. 7