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Amazonia.org - www.amazonia.org.br
05/09/2008
Lider de comunidade extrativista sofre atentado

O presidente da Associação dos Agroextrativistas do Baixo Rio Branco-Jauaperi Francisco Caetano teve sua casa incendiada no último dia 25 de agosto. Caetano é um grande defensor da criação da Reserva Extrativista (Resex) do Baixo Rio Branco, na fronteira do Amazonas com Roraima, e suspeita que o incêndio tenha sido criminoso.

Caetano teria recebido uma ligação anônima em Manaus, anunciando que sua casa estava pegando fogo. Após o atentado, ele recebeu outra ligação, pela qual escutou som de tiros. Segundo testemunhas, a casa foi totalmente consumida pelo fogo. No momento do incêndio, ninguém se encontrava na casa.

O líder comunitário foi procurado pela redação do site Amazonia.org.br, mas no momento está na região do Baixo rio Branco. Segundo o presidente da Associação dos Artesãos do rio Jauaperi, Francisco Parede de Lima, a reserva não tem telefone, e a única forma de comunicação é via rádio.

De acordo com Marina Antogiovani da Fonseca, do Instituto Socioambiental (ISA) de Manaus, que acompanha o caso de criação das reservas extrativistas, a Resex Baixo Rio Branco-Jauaperi está pronta para ser criada, pois já passou por todos os procedimentos. Mas enquanto não sai do papel, a realidade continua complicada. "A situação lá está muito tensa, com muitas ameaças aos que defendem a criação da Resex", diz.

São muitos os setores interessados em que a Resex não seja construída, como pescadores comerciais, traficantes de tartarugas, madeireiros e o próprio setor público dos estados de Roraima e Amazonas. Em 2005, o clima de tensão levou ao assassinato de um agente ambiental voluntário, supostamente por traficantes de tartarugas.

No dia 13 de maio, mais de duzentas pessoas, entre produtores agroextrativistas, ribeirinhos e comunidades tradicionais, foram a Brasília cobrar a regularização das reservas agroextrativistas em uma audiência pública convocada pelo Ministério Público Federal. A manifestação, entretanto, não teve resultado prático. "Quando a gente acha que vai receber uma posição positiva, que é o que esperávamos do encontro em Brasília, acontece o contrário", lamenta Francisco Parede de Lima.

A Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi teria 600 mil hectares, 200 mil no Amazonas e 400 mil em Roraima. A região é uma das mais preservadas do rio Jauaperi. Os ribeirinhos acreditam que a criação da reserva é a única maneira de explorar os recursos naturais da região sem agredir a floresta. O projeto de criação da Resex, no entanto, encontra-se parado na Casa Civil desde 2006.

O analista ambiental Leonardo Pacheco explica que o processo está parado esperando uma manifestação do governo do estado do Amazonas. Também falta um estudo do potencial hidrelétrico do Rio Branco ser concluído pelo Ministério de Minas e Energia (MME). "Enquanto isso os ribeirinhos do Rio Branco e Rio Jauaperi ficam sujeitos a esse tipo de crime", desabafa.