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29/06/2016
Manejo de jacares pode ser alternativa economica para ribeirinhos no Amazonas

Especialista defende que atividade seja praticada por ribeirinhos e em áreas de desenvolvimento sustentável.

O jacaré pode ser uma alternativa econômica viável para ribeirinhos de comunidades no interior do Amazonas. A proposta surgiu na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e já conta com um Grupo de Trabalho (GT). No entanto, segundo o veterinário Augusto Kluczkovski Júnior, a ideia é bem mais antiga. "O Amazonas já viveu essa experiência entre as décadas de 1950 e 1970. Não é uma discussão de momento. Há mais de 10 anos, pesquisadores como eu, Jorge Rebelo e Ronis da Silveira, já falam sobre isso", diz.

O manejo seria praticado nos mesmos moldes do que é feito com o pirarucu, cuja pesca é proibida por lei e autorizada somente em áreas regularizadas pelos órgãos ambientais. "A maior preocupação é com a ameaça às espécies de jacaré, mas na década de 1950 a atividade era intensa e mesmo assim houve recuperação", opina. O veterinário destaca que a atividade deve ser praticada somente em áreas de desenvolvimento sustentável, como nos nos municípios de Tefé e Alvarães. "Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, existem cerca de dois mil animais por quilômetro linear de margem, ou seja, um jacaré a cada 50 centímetros na beira do rio".

O couro é o derivado com maior potencial econômico, mas a carne do animal também tem aceitação no mercado. "É uma carne boa, de alta qualidade, com proteína e gordura saudável. Tem praticamente os mesmos valores nutricionais da carne bovina e de frango. Por exemplo, o jacaré chega a ter 2,98% de gordura e enquanto o boi pode ter 5,5%", defende.

Kluczkovski publicou recentemente o livro "Cadeia produtiva de jacarés da Amazônia: aspectos técnicos e comerciais", que reúne dados sobre cadeia produtiva de jacarés na Amazônia. Segundo ele, com a proibição da caça e a rigidez da legislação ambiental, a atividade entrou em declínio. "Em Manaus, nós tínhamos um curtume famoso, que ficava em um porto próximo a Câmara Municipal de Manaus, e que pertencia a família Benzecry", conta.

"Esse tipo de exploração econômica já existe nos Estados Unidos, na África e na Ásia. No Brasil, existem criadouros no Mato Grosso, mas que beneficiam pessoas de alta renda. Aqui, a atividade seria voltada para o interior, pois queremos dar retorno para o ribeirinho porque é ele que tem esse direito [de explorar o jacaré]", avalia. O Amazonas tem quatro espécies de jacaré: açu, tinga, coroa e taguá ou pedra. Todas possuem potencial econômico.

O GT, formado por parlamentares de vários municípios do interior e gestores de órgãos ambientais e de produção rural, já está em sua terceira reunião. Eles pretendem criar uma política pública para manejo sustentável comunitário de jacaré no Amazonas. No entanto, para isso, é necessário modificações na legislação ambiental para favorecer o manejo entre ribeirinhos. A iniciativa é encabeçada pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT).

A próxima reunião será no próximo dia 30 de junho para a entrega de um relatório final e sistematização das propostas. O objetivo é mudar a lei no 5.197, de 3 de janeiro de 1967, a Lei de Proteção à Fauna. Além disso, o GT pretende criar uma agenda para ser apresentada em Brasília, pois se trata de uma lei federal. Sinésio Campos também quer levar as propostas ao Parlamento Amazônico.

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