As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

ICMBio - http://www.icmbio.gov.br
14/12/2011
Operacao combate desmatamento na Terra do Meio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acaba de concluir uma operação contra o corte ilegal de madeira na Terra do Meio, no Pará. As ações se concentraram no município de Trairão, onde o instituto mantém a Floresta Nacional (Flona) de Trairão e a Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfrísio. A região é marcada por violentos conflitos agrários e crimes ambientais.

Junto aos 33 servidores do ICMBio, participaram da operação mais de 80 homens das Forças Armadas, Ibama, Força Nacional e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Durante as ações, que duraram dois meses, foi desarticulada quadrilha que operava na área e apreendidos quase três mil metros cúbicos de madeira ilegal em toras e madeira serrada, estimados em 2,5 milhões de dólares, e seis tratores. Além disso, foi fechada uma serraria.

Mais de 90% das toras apreendidas eram de ipê, uma espécie ameaçada cuja madeira é chamada de "ouro da Amazônia" pois é escassa e seu valor supera os US$ 1.300 por metro cúbico. O responsável pela devastação, Valdinei Ferreira, foi multado em R$ 1,8 milhão (1 milhão de dólares), mas está em liberdade pois o crime não prevê pena de prisão.

"Grande parte da madeira extraída ilegalmente é destinada à exportação pelo porto de Belém", capital do Pará, informou Davi Rocha, analista ambiental e chefe do escritório do Ibama em Itaituba. Especialistas calculam que de 40% a 60% da madeira saída da Amazônia sejam ilegais. Há uma década a proporção era de 80%.

INVASÕES - Guilherme Betiollo, do ICMBio e coordenador das operações, explicou que as Unidades de Conservação (UC) - áreas protegidas para preservar a biodiversidade e evitar o desmatamento na Amazônia - são invadidas por homens armados que bloqueiam os acessos com árvores para evitar a fiscalização das autoridades. "Começam com a extração ilegal de madeira e daí, sua consequente transformação em pasto para alimentar o gado ou campo para produção de soja", disse Betiollo.

A madeira amazônica representou em 2009 um negócio de 2,5 bilhões de dólares, revelaram o Instituto Imazon e o Serviço Florestal brasileiro. No estado do Pará, um dos mais violentos do Brasil devido a conflitos agrários, foram assassinados entre maio e outubro oito pessoas que denunciaram cortadores clandestinos de árvores.

O último deles foi João Chupel Primo, de 55 anos, morto a tiros após denunciar a extração ilegal de madeira na região de Itaituba. Pelo crime foi detido Carlos Augusto, conhecido como 'Agustinho', homem temido na região, segundo vizinhos.

Ainda hoje, o agricultor Raimundo Belmiro, líder da comunidade da Resex do Riozinho do Anfrísio, vive sob proteção policial. Ele está ameaçado de morte por defender a reserva da ação de grileiros. A proteção ao extrativista foi providenciada pelo ICMBio, que administra a reserva.

http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/4-geral/2422-operac...