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ICMBio - www.icmbio.gov.br
09/09/2009
Parque vai alem da beleza dos sertoes e mostra vocacao para a pesquisa cientifica

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas, entre Minas e Bahia, nas bordas do município de Chapada Gaúcha, guarda não só as belezas e a cultura dos sertões, como bem descreveu o escritor Guimarães Rosa. É também um espaço para pesquisas científicas que muito contribuem para a preservação e gestão da biodiversidade.

Agora mesmo, pesquisadores descobriram no local dez espécies de anfíbios não catalogados no plano de manejo da unidade - um nunca visto em Minas e dois outros inéditos para a ciência - , sete espécies de felinos e uma grande diversidade de formigas.

Tudo isso está sendo estudado por diferentes grupos, mas vão servir a objetivos comuns: utilizar os dados na gestão do parque e municiar universidades, centros de pesquisa e instituições científicas com informações sobre o ecossistema da região, um dos menos conhecidos do País.

ANFÍBIOS - A pesquisa sobre anfíbios vem sendo executada pela chefe do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, a bióloga e pesquisadora Paula Leão Ferreira. Ela já descobriu dez espécies de sapos não catalogados no plano de manejo da unidade. Uma dessas espécies, segundo Paula, nunca havia sido registrada em Minas Gerais e duas outras são inéditas para a ciência.

A maioria das espécies foi encontrada num riacho perto de uma cachoeira, área que, pelo plano de manejo, deve ser aberta à visitação. Agora, com as descobertas, isso pode mudar. "Talvez teremos que repensar alguns aspectos da visitação nesse lugar, por exemplo, permitir acesso somente a pé e nunca de carro," explica a chefe. Paula ressalta, porém, que essas restrições ainda não são certas, uma vez que é preciso obter mais informações para se ter certeza de que esse é o único habitat desses animais na região.

A pesquisadora diz que ainda é necessário fazer coletas em outras áreas cujas características ambientais sejam similares ao do local onde as espécies foram encontradas. "A idéia é ver se estas espécies estão bem distribuídas ao longo das várias fisionomias do parque." Se ficar confirmado que elas só são encontradas próximo à cachoeira, a chefe do parque vai propor a proibição de veículos na região e permitir somente caminhadas. Por enquanto ainda não é possível afirmar com segurança se haverá essa mudança.

Como tem de conciliar as atividades de gestão do Parna com as de pesquisa, a bióloga, normalmente, faz suas incursões no período do final da tarde até a meia-noite. Ela pega lanterna, calça as botas e entra no mato em busca dos animais. "Me embrenho na vegetação, subo rio, desço grotas, veredas, enfim, percorro os corpos d`água onde é mais propicio o encontro de anfíbios," conta. Para o ano que vem ela está desenvolvendo um cronograma bem definido de coletas, o que deve facilitar os trabalhos.

Paula começou os estudos nessa área em 2001, ainda na faculdade. Nessa época o foco dela era a região dos Vales do Mucuri e do Jequitinhonha, também em Minas. Depois, em 2008, quando estava desenvolvendo uma dissertação de mestrado, passou a fazer as pesquisas na UC. Durante seis meses, coletou dados, mas não obteve informações suficientes a tempo de fechar a produção acadêmica. Entretanto, como tinha autorização para as pesquisas e curiosidade em saber quais bichos existiam lá, resolveu continuar as observações no parque nacional.

A pesquisadora, que desde 2007 é servidora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), soma-se a vários outros cientistas que desenvolvem trabalhos de pesquisa no Parque Nacional Grande Sertão Veredas.