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Cruzeiro do Sul - www.cruzeirodosul.inf.b
23/05/2010
Passeio na floresta

A reabertura da visitação pública à Floresta Nacional (Flona) de Ipanema, em Iperó, oferece aos moradores da região a oportunidade de conhecer de perto esse que é o mais importante patrimônio de biodiversidade desta parte do Estado e um dos maiores fragmentos de mata atlântica no interior paulista - uma santuário verde onde se encontram cerca de 26% de todas as espécies animais existentes em São Paulo, vinte das quais ameaçadas de extinção.

Para resumir em uma palavra, é um privilégio (do qual uma parcela dos moradores e também das autoridades parece não ter se dado conta, ainda) possuir na vizinhança uma das reservas ecológicas federais do país. A criação da Flona de Ipanema, há dezoito anos, comemorados no último dia 20, colocou sob a proteção da lei 5.180 hectares de matas, plantas e animais, além de estender a proteção ao sítio arqueológico do Morro do Araçoiaba, o berço da indústria nacional.

Ipanema é uma das unidades de conservação (UCs) federais, colocadas há quase três anos sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Nessas unidades - que podem ser florestas, parques nacionais, reservas biológicas ou ecológicas, etc. -, são conservadas áreas extensas dos seis biomas terrestres (grandes comunidades de fauna e flora associadas a um determinado ambiente físico) presentes no Brasil: floresta amazônica, caatinga, cerrado, mata atlântica, pampa e pantanal.

Segundo dados de outubro de 2009 do Instituto Chico Mendes, existem no Brasil 304 UCs, divididas entre áreas de proteção integral e áreas de uso sustentável, num total de 74 milhões de hectares. Somente as Flonas, que somam 65 unidades, representam 16,5 milhões de hectares, uma área maior que o Estado do Acre. Desde o ano passado, a Flona de Ipanema adquiriu um status único entre as UCs brasileiras, já que passou a abrigar a Academia Nacional de Biodiversidade, que aproveita parte da estrutura física do antigo Centro Nacional de Engenharia Agrícola (Cenea) para treinar os técnicos ambientais que ingressam no serviço público, antes de serem designados para atuar em uma das unidades de conservação.

Sem falar no ganho ambiental, que é incomensurável, a simples presença da Flona acaba tendo, para a população das cidades próximas, um valor educativo excepcional, já que a unidade é aberta aos visitantes e oferece passeios monitorados, nos quais é possível conhecer as belezas naturais e aprender sobre elas. O aprendizado ocorre, também, no âmbito do poder público, que é compelido a respeitar essas unidades e a projetar o desenvolvimento urbano tendo em vista, primordialmente, a preservação da biodiversidade nelas existente. Nas Flonas que possuem plano de manejo (caso de Ipanema), a direção da unidade precisa aprovar todo projeto localizado na chamada zona de amortecimento. Recentemente, a Flona de Ipanema opinou desfavoravelmente à implantação do novo aterro sanitário de Sorocaba na estrada do Ipatinga, porque o depósito de lixo no local pretendido poderia comprometer cursos d'água importantes que cruzam a floresta.

Todo esse imenso patrimônio ambiental, somado ao patrimônio histórico e arqueológico da primeira fábrica de ferro do Brasil - história cujos registros fotográficos e jornalísticos a direção da Flona/ICMBio está começando a recuperar, numa parceria com o Projeto Memória da Fundação Ubaldino do Amaral -, constitui um atrativo inigualável para o público da região, que, a partir de agora, pode incluir a Flona de Ipanema em seu roteiro de lazer, ao custo quase simbólico de R$ 5,00 para maiores de 12 e menores de 60 anos. É programa obrigatório para quem gosta de belas paisagens e quer saber mais sobre o passado de nossa região.

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