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09/07/2016
Pesquisa estuda biodiversidade de plantas e solo no Parque de Sete Cidades

A pesquisa, que tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), vem sendo desenvolvida desde o ano de 2013.

Localizado nos municípios de Piracuruca e Brasileira, no norte do Piauí, o Parque Nacional de Sete Cidades é conhecido pelas belezas esculpidas pela natureza e pelas pinturas rupestres de até seis mil anos. Estudos ainda buscam desvendar qual seria o primeiro povo a habitar a região, enquanto outras pesquisas se debruçam sobre a biodiversidade microbiana do parque, como é o caso do estudo coordenado pelo professor Ademir Sergio Ferreira de Araújo, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal do Piauí.

A pesquisa, que tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), vem sendo desenvolvida desde o ano de 2013, busca conhecer melhor como as interações entre os grupos taxonômicos de microrganismos podem estar contribuindo de forma direta com a variedade de plantas. O estudo é focado na diversidade microbiana do solo e a genética de populações de plantas dentro de áreas de Cerrado preservadas no Parque Nacional de Sete Cidades. "Os benefícios do projeto vão desde o conhecimento da biodiversidade microbiana para fins de preservação, até a prospecção de genes", afirma o pesquisador.

A maior parte da vegetação encontrada no Parque é característica do cerrado( Foto: Divulgação Fapepi)
Esses seres microscópicos são extremamente importantes para a manutenção do equilíbrio natural de determinadas localidades. Inicialmente, pela coleta do DNA e pela análise realizada pela equipe do professor Ademir Sérgio foi possível constatar que, nas áreas do parque que têm maior variabilidade de vegetação, a ocorrência da atividade microbiana é intensa. Dentre os grupos bacterianos mais abundantes encontrados no Parque Nacional de Sete Cidades estão as Proteobacterias, Acidobacterias e Actinobacterias. Da comunidade de fungos, os grupos mais abundantes são os Basidiomycetos e Ascomycetos. Em relação à fauna do solo, os grupos mais abundantes são Acari, Araecae, Colembola, Coleoptera, Diplopoda, Diptera, Formicidae e Homoptera.

"Os resultados confirmam que há um supercentro de diversidade microbiana e uma alta beta diversidade, ou seja, as comunidades microbianas apresentam mudanças seguindo um gradiente fisionômico nas áreas do parque", destaca o professor Ademir Araújo.
Atualmente, a pesquisa encontra-se em fase final com os resultados sendo formatados e descritos em publicações especializadas. Em relação à biodiversidade do solo, as principais conclusões já descobertas são que as praticas agrícolas na borda do parque contribuem para a perda de biodiversidade microbiana do solo, indicando que os esforços de proteção e conservação do Parque Nacional de Sete Cidades devem ser intensificados.

Além disso, a pesquisa constatou que as áreas de cerrado preservadas dentro do parque apresentam uma distinta diversidade de bactérias e fungos, com a indicação de um novo hotspot bacteriano e fúngico no cerrado brasileiro, ou seja, uma área que abriga espécies endêmicas, e que, por isso, estão ameaçadas de desaparecer.

Uma parte das análises do material coletado na pesquisa coordenada pelo professor Ademir Sérgio foram realizadas nos Estados Unidos no ano passado. "As pesquisas na biodiversidade do solo indicam que o Parque Nacional de Sete Cidades apresenta uma grande fonte de micróbios com potencial biotecnológico e agrícola. Já em relação a diversidade de plantas, os estudos estão entendendo o funcionamento da genética de populações de plantas dentro e fora do parque para avaliar o fluxo gênico em espécies de plantas de importância", explicou o coordenador da pesquisa.

A pesquisa coordenada pelo professor Ademir Araújo foi contemplada pelo Programa de Apoio a Núcleo de Excelência (Pronex), através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi). O programa é voltado para grupos de alta competência no setor de atuação, são grupos de pesquisadores e técnicos de alto nível, com reconhecida capacidade de produção técnico-científica em suas áreas de pesquisa, capazes de funcionar como fontes de geração e transformação do conhecimento em programas e projetos relevantes ao desenvolvimento do país.

O estudo vem sendo desenvolvido com a participação de vários pesquisadores através de uma parceria entra a Universidade Federal do Piauí, a Universidade Federal do Ceará, a Universidade Federal de São Paulo e a University of California - Davis, instituição norte-americana de ensino superior que está entre as 100 melhores universidades do mundo, de acordo com o ranking de produção acadêmica, Times Higher Educantion.

"A parceria com University of California - Davis teve inicio em 2014, quando estive com o grupo de pesquisa da diretora do Instituto de Agricultura Sustentável da instituição, Kate Scow, e traçamos todas as estratégias para colaboração no projeto", ressaltou o professor.

Parque Nacional de Sete Cidades

O Parque Nacional de Sete Cidades, que foi criado em 1961 por um decreto do então presidente Jânio Quadros, corresponde a uma área de 7.700 hectares na região ente as cidades de Piracuruca e Brasileira. Atualmente, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (ICMbio).

Dentre os objetivos definidos para o Parque estão a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

A maior parte da flora encontrada no parque é típica de cerrado, com espécies como murici, cascudo, lixeira, bacuri, pequi e pau-terra, encontradas com facilidade. Nas manchas de caatinga encontram-se juazeiros, juremas, aroeiras e cactos, como o xique-xique e a coroa-de-frade.

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