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ICMBio - www.icmbio.gov.br
24/09/2009
Rebio e Flona do Para sao exemplo de excelencia na gestao de unidades de conservacao

A gestão integrada da Reserva Biológica (Rebio) do Rio Trombetas e da Floresta Nacional (Flona) Saracá-Taquera foi apresentada no VI Congresso Nacional de Unidades de Conservação (CBUC), que termina nesta quinta (24), em Curitiba (PR), como um exemplo a ser seguido por outras unidades de conservação do País. As duas reservas, que ficam uma próxima da outra, no noroeste do Pará, são geridas pelo Instituto Chico Mendes e, de 2007 para cá, deram um salto de qualidade na administração.

Os resultados podem ser atestados por conquistas recentes como o recorde de nascimento de quelônios na Rebio - mais de 300 mil na temporada de 2008 - e nas ações de recuperação de áreas de castanhais degradadas na Flona por atividades mineradoras que são praticadas na região.

Ao falar sobre a experiência no simpósio sobre Gestão de unidades de conservação, no VI CBUC, o analista ambiental do ICMBio Carlos Augusto de Alencar Pinheiro, que chefia as duas unidades, disse que o sucesso está na adoção correta das ferramentas do Programa de Gestão para Resultados (PGR), que estabelece critérios para implementar e consolidar administração com foco em resultados nas unidades de conservação.

O PGR utiliza como referência o modelo de excelência em gestão pública do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (Gespública), do Ministério do Planejamento, que propõe o uso de ferramentas de auto-avaliação para avaliar critérios como liderança, estratégias e planos, clientes e sociedade, informações e conhecimento, gestão de pessoas, gestão de processos e, principalmente, resultados, podendo indicar o grau de organização da equipe e qualidade da gestão.

TROMBETAS - De acordo com o relato de Carlos, as ferramentas de gestão foram introduzidas na Rebio do Rio Trombetas em 2007. Inicialmente, o processo foi acompanhado por consultoria do PGR, que forneceu assistência técnica no local, através de reuniões com a equipe da unidade, e também apoio à distância.

O primeiro passo, contou ele, foi mobilizar a equipe para uma espécie de auto-avaliação da gestão. Em seguida, sempre com a participação de todos e com base nos objetivos de criação da UC, no seu Plano de Manejo e em suas especificidades e competências legais, foram definidas a missão, a visão de futuro e os valores que iriam nortear o trabalho na unidade daí para a frente.

A definição dos objetivos estratégicos e dos indicadores da Rebio, prosseguiu Carlos, exigiu um longo debate entre as coordenações dos principais processos da unidade, que são gestão, pesquisa, proteção, educação ambiental e desenvolvimento comunitário.

Nessa discussão foi estabelecido o mapa estratégico das ações, que previam, entre outras tarefas, proteger as tartarugas-da-amazônia, monitorar as atividades de mineração e proteger os ecossistemas da unidade, permitindo a continuidade dos processos biológicos.

De acordo com Carlos, os indicadores foram escolhidos seguindo critérios bem específicos: serem representativos da realidade da UC, de formulação simples, de fácil entendimento aos envolvidos no processo, com definição das etapas principais dos processos e capazes de ter estabilidade ou duração ao longo do tempo. Esses indicadores ainda hoje são atualizados trimestralmente em reuniões da equipe, com base nos resultados alcançados.

Já a definição das metas foi feita de acordo com a capacidade de execução de cada coordenação, considerando recursos financeiros e humanos disponíveis. "Para dar maior visibilidade ao processo, foi elaborado o painel de gestão à vista. No painel, instrumentos como indicadores e metas foram traduzidos em linguagem de gráficos, facilitando o acompanhamento e a avaliação das atividades prioritárias para que a UC cumpra os objetivos de sua criação. O painel também deu visibilidade à missão da UC, além de contemplar as perspectivas financeiras, de aprendizado e inovação, dos processos internos, do usuário e do ambiente", frisou.

O mapeamento dos processos, continuou Carlos, foi feito a partir da construção de fluxogramas, padronizando as principais ações da unidade, através de uma linguagem mais fácil e acessível. A elaboração dos fluxos exigiu, primeiramente, reuniões internas de cada coordenação e, posteriormente, de toda a equipe de analistas. "Alguns fluxogramas foram construídos em conjunto com os funcionários terceirizados, pois, além de envolvê-los diretamente, a experiência do pessoal de campo ou dos demais funcionários do escritório muitas vezes é imprescindível", afirmou o chefe das duas unidades.

INTERCÂMBIO - O processo de construção do novo modelo de gestão também envolveu a troca de experiências entre as equipes das unidades participantes desse programa. Nesse sentido, informou Carlos, foram realizados quatro encontros: o primeiro sediado na Estação Ecológica Anavilhanas (AM), o segundo na própria Rebio do Rio Trombetas, o terceiro no Parque Estadual do Cantão (TO) e o quarto na Rebio Uatumã (AM).

Paralelamente às etapas de implementação do PGR, foi realizada pelos consultores a avaliação do perfil da equipe, por meio da apreciação do perfil individual das lideranças e pesquisa de clima organizacional com os analistas e agentes ambientais.

"O curso de Agentes Ambientais de 2008, evento realizado desde 2005, teve como tema central o PGR. Os funcionários terceirizados foram envolvidos no processo - antes mais restrito aos analistas - a partir do conhecimento de como ler, interpretar e construir algumas ferramentas, tais como gráficos de indicadores e metas, fluxogramas, planos de ação e o painel de gestão à vista", disse Carlos.

No curso foram discutidas, sobretudo, as ferramentas que envolviam ações relacionadas diretamente ao trabalho dos agentes ambientais e incentivada a adoção de algumas dessas ferramentas para auxiliar na organização e planejamento das atividades de rotina das bases. Serviu também para discussão dos valores, missão e visão de futuro das unidades, de conceitos como eficiência e eficácia e para o retorno da pesquisa de clima organizacional realizada pelos consultores.

SACARÁ-TAQUERA - Em 2008, as ferramentos do PGR passaram a ser adotadas também na Flona Saracá-Taquera. O painel de gestão à vista foi reformulado e ampliado, contemplando os objetivos estratégicos, perspectivas, missão e visão de futuro e gráficos de indicadores e metas para as duas unidades, respeitando-se, contudo, as suas especificidades e distintos objetivos de criação e manejo.

Segundo Carlos, a adoção das ferramentas de gestão para resultados cooperou para o aumento da efetividade da gestão. "Tomando-se como referência o instrumento de 250 pontos do Gespública, na auto-avaliação da unidade de 2007 para 2008, houve aumento da pontuação, passando de 99 para 221,5 pontos. Nessa segunda auto-avaliação foram identificadas oportunidades de melhoria, tais como gestão de suprimentos e comunicação interna, contempladas no "Plano de Melhoria de Gestão" elaborado para implementação em 2009", explicou ele.

Carlos ressaltou que a pontuação alcançada na última auto-avaliação (221,5 pontos na ferramenta de avaliação de 250 pontos) classificou as duas UCs nos primeiros estágios de desenvolvimento e implementação do Modelo de Excelência em Gestão Pública, aparecendo já os primeiros resultados decorrentes das práticas de gestão implementadas, com tendências favoráveis.

"Dessa forma, as unidades aderiram formalmente ao Gespública e a meta para 2009 é implantar o instrumento de 500 pontos, já na nova ferramenta de avaliação, que monitora organizações que possuem pró-atividade em suas práticas, em um estágio mais desenvolvido de gestão", disse ele.

INTEGRAÇÃO - O processo de construção das ferramentas de gestão para resultados, confirmou Carlos, tem proporcionado momentos importantes de reflexão e discussão sobre as UCs, colaborando para a integração da equipe e permitindo que o conhecimento seja compartilhado. "Esse processo estabeleceu uma rotina de reuniões para planejamento, avaliação e direcionamento de atividades, que se consolidou como valor permanente na organização."

A definição de valores, missão e visão de futuro têm contribuído para que se tenha clareza de como atuar direcionando aos pontos críticos da gestão, dando foco aos objetivos da criação das unidades, aos planos de manejo e ao estabelecimento de prioridades.

Os indicadores, baseados nos objetivos estratégicos, levaram à revisão algumas práticas que não nos permitiam atingir as metas estabelecidas. "Entretanto, determinados indicadores precisam ser revistos a fim de se tornar realmente efetivos, pois alguns ainda possuem caráter de índice de verificação e medição de esforços", fez a ressalva o chefe das UCs.

Já o mapeamento dos processos permitiu a padronização das atividades, uma vez que os fluxogramas possibilitam que não haja descontinuidade nos programas e projetos, mesmo com mudanças na equipe ou do gestor. "Em relação aos recursos humanos, a avaliação do perfil de gestão e a pesquisa de clima organizacional também foram importantes ferramentas adotadas para avaliar o grau de satisfação da equipe e propor melhorias", disse.

Por fim, lembrou Carlos, o envolvimento dos agentes ambientais nesse programa, proporcionado pela pesquisa de clima e pelo curso de capacitação, é uma oportunidade para que a equipe das bases seja envolvida de fato nos processos de gestão das unidades. A inclusão no processo pode aumentar, ainda, o grau de reconhecimento e satisfação desses funcionários.

AVALIAÇÃO - Atualmente, a equipe das UCs passa por um momento de avaliação das ferramentas, principalmente no que diz respeito aos indicadores e às metas inicialmente propostos. "A escolha de indicadores efetivos (representativos da realidade e fáceis de medir) para as unidades ainda é, em algumas situações, um desafio que poderá ser solucionado gradativamente, através de avaliações, identificação de oportunidades de melhorias e aprendizado contínuo da equipe", afirmou Carlos.

Para ele, os resultados obtidos até o momento demonstram que a adoção das ferramentas de gestão de qualidade em unidades de conservação são importantes para direcionamento e priorização das ações e otimização dos recursos disponíveis, imprescindíveis para o enfrentamento do atual cenário de restrições orçamentárias e questionamento sobre a efetividade das ações de conservação da biodiversidade.