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Instituto Mamiraua - http://www.mamiraua.org.br
17/10/2015
Trabalho de jovens da Reserva Amana (AM) sera exposto no Museu de Artes de Denver

O que será que os jovens de escolas públicas de Denver, nos Estados Unidos, têm a dizer para os jovens brasileiros das comunidades ribeirinhas do Amazonas? Entre os dias 17 de outubro e 17 de novembro, a exposição Fotovoz Amanã participa da instalação educacional Deep Deper, Immerse Yourself, que será realizada no Museu de Artes de Denver. Na instalação, os jovens americanos poderão mandar mensagens com suas impressões sobre os trabalhos expostos na ocasião para jovens da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

A exposição é parte do projeto de pesquisa realizado desde 2014, por Ana Carolina de Lima, pesquisadora associada do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Fotovoz Amanã reúne 12 histórias e fotografias produzidas por cerca de 25 jovens entre 12 e 18 anos, moradores das comunidades São João do Ipecaçu, Matusalém e Nova Canaã.

As fotografias e narrativas apresentam o ponto de vista e a realidade desses jovens sobre a rotina das atividades produtivas das comunidades, como parte da pesquisa em antropologia alimentar. A instalação será parte do Americas Latino Eco Festival, evento multicultural com foco em expor iniciativas latino-americanas em prol da conservação do meio ambiente.

De acordo com a pesquisadora, a oportunidade contribui para a compreensão sobre a vida na Amazônia. "Existem muitos estereótipos. Talvez essa seja uma maneira dos adolescentes perceberem que não são tão diferentes, poderem se colocar no lugar de quem mora numa Reserva. Há vários desdobramentos a partir dessa mudança de perspectiva, um exemplo é o fato de perceberem que a conservação do ambiente faz parte da vida de todos, mas de maneiras diferentes, dependendo de onde esse jovem vive", contou Ana.

O evento expositivo já aconteceu, no Brasil, com a presença dos jovens que participaram do projeto em fevereiro deste ano, na comunidade São João do Ipecaçu. O projeto Fotovoz é parte da pesquisa "Uma análise antropológica sobre a eficácia de programas de transferência de renda para a segurança alimentar de populações ribeirinhas", desenvolvida por Ana Carolina.

Ainda neste ano, a pesquisadora retornará para a Reserva Amanã para apresentar às comunidades as mensagens enviadas pelos jovens de Denver, e entregar outros resultados da pesquisa, como dados de nutrição.

A pesquisa

E de acordo com Ana Carolina, uma das ideias da pesquisa "é ver os sentimentos envolvidos na alimentação, avaliar se a má ou a boa nutrição está ligada a algum tipo de alimento, algum tipo de tradição". A pesquisadora também enfatiza que a técnica do Fotovoz, baseada em fundamentos de Paulo Freire, trabalha a valorização do diálogo, do conhecimento individual, da discussão e do pensamento crítico. O que contribui para o acesso às informações sob o ponto de vista dos jovens.

"O Fotovoz contribui muito para a pesquisa, porque mostra quais atividades produtivas estão ligadas à alimentação e como os meninos veem aquela alimentação. No Fotovoz, eles mostraram a preparação de alimentos, a pesca, a farinha, o cultivo. Trouxeram fotos da rotina, dos problemas deles", reforçou a pesquisadora.

O grupo recebeu sete câmeras digitais e um tablet para trabalharem durante o período de realização do projeto. A ideia era que eles tivessem a liberdade de escolher entre os assuntos que consideravam relevantes para serem expostos em fotografia e texto. Ao longo do projeto, foram feitos encontros entre a pesquisadora e os grupos de adolescentes. De acordo com Ana, o processo foi caracterizado por um constante diálogo e reflexão sobre a vida e adolescência na comunidade.

A pesquisa é parte do doutorado em antropologia de Ana de Lima na Universidade de Indiana (EUA) e é financiada pelo Instituto Mamirauá, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e pela Fundação Nacional de Ciências (NSF), dos EUA.

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