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Amazonas Em Tempo-Manaus-AM
27/07/2004
Zona Franca Verde: Reserva de Mamiraua sera modelo (AM)

O governador Eduardo Braga e um grupo de dirigentes de 14 instituições governamentais, incluindo seis secretários de Estado, estiveram este fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada no município de Tefé, a 525 quilômetros de Manaus em linha reta. A equipe foi conhecer de perto como vivem as populações tradicionais e suas experiências com o desenvolvimento sustentável, o modelo proposto por Braga para o interior do Estado chamado Programa Zona Franca Verde (ZFV).
De acordo com o governador, a idéia de conservar a natureza oferecendo alternativas econômicas para que as populações do interior possam sobreviver é a essência do ZFV. Por isso, a experiência de Mamirauá vai servir de modelo para as outras quatro unidades de conservação que juntas formam o chamado Corredor Ecológico Central, e que abrangem uma área de mais de 6 milhões de hectares do Estado. O Governo vai reforçar as ações que já são realizadas há 14 anos pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) na área da reserva. A ida dos secretários foi para que cada um observasse as demandas existentes no local e oferecesse projetos de apoio ao instituto.
"De tudo que vi e que pude ouvir do povo da reserva a certeza que tenho é que o caminho da Zona França Verde está correto. É através do desenvolvimento sustentável, a partir do manejo do pescado, dos recursos florestais e da produção agrícola que nós poderemos dar uma resposta de curto prazo para o emprego e renda no interior do Estado do Amazonas", comentou o governador ao final da visita, que iniciou na sexta-feira à noite.
Durante a visita, Eduardo Braga e sua comitiva estiveram em Vila Alencar, um pequeno povoado de cerca de 200 habitantes, distante duas horas de barco de Tefé, no Médio-Solimões. O povoado é uma das 63 comunidades que habitam a RDSM formada por uma área de 1,1 milhão de hectares, metade do estado de Sergipe, onde vivem cerca de 6,5 mil moradores usuários. O governador conversou com os moradores e conheceu os projetos do programa de alternativas econômicas praticados na comunidade a partir de gestão participativa. As 30 famílias que habitam o local vivem da pesca, da produção agrícola, do ecoturismo e do artesanato.
A geração de emprego e renda combinada à conservação dos recursos naturais, encontrou na comunidade um forte aliado. "A gente sabe que tudo um dia acaba, por isso, temos o cuidado de não destruir e não deixar que os outros venham aqui explorar a madeira, caçar e pescar sem o compromisso de trabalhar direito para que a natureza possa se recuperar", disse o agricultor Antônio Marinho, 36.

Resultado
O resultado da missão governamental foram cerca de 50 propostas de projetos que, juntos, vão somar investimentos de cerca de R$ 17 milhões. O recurso, segundo o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Virgílio Viana, que coordena o programa ZFV, virá da colaboração entre as diferentes instituições de governo aproveitando o orçamento que já está disponível para esse ano. "Também vamos dirigir para o projeto as atividades de cooperação internacional, priorizando as ações identificadas em Mamirauá pelo governador". O objetivo, segundo Virgílio Viana, é fazer com que as ações sejam articuladas, para que possam ser potencializadas em favor de resultados a curto prazo. "Mas também temos projetos, a médio e a longo prazo para Mamirauá e as outras reservas". Em uma reunião, que iniciou à tarde e se estendeu até às 22h de sábado, os secretários de estado identificaram junto à coordenação técnica do IDSM as principais demandas e, assim, cada um apresentou sua solução com projetos nas áreas afins.
O modelo de desenvolvimento sustentável de Mamirauá deu certo no que se refere à potencialização da produção a partir de pesquisas voltadas para o manejo das espécies mas, hoje, os produtores têm dificuldade para encontrar mercado. Um exemplo claro é a experiência com o pirarucu. Em 1999, com os primeiros resultados do plano de manejo, a produção destinada à venda (só é permitido comercializar 30% dos peixes adultos) foi de três toneladas. Em 2003, foram 71 toneladas e para 2004 a previsão é de 150 toneladas.
O problema é que os produtores não têm experiência com o mercado e estão perdendo dinheiro na comercialização. Por conta disso, a Secretaria de Produção (Sepror), por meio da Agência de Agro-Negócios, vai intermediar a busca de um mercado mais justo para o Pirarucu de Mamirauá.

Financiamento
Aos produtores que enfrentam dificuldade para expandir a produção, a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) vai levar uma Ação de Crédito Itinerante a RDS. "Estamos só aguardando o comunicado deles sobre a data para levarmos o financiamento àqueles que estão necessitando", disse o presidente do órgão, Pedro Fallabela. A Afeam vai disponibilizar R$ 200 mil para o micro-crédito e também para outras linhas de financiamento.
Para a diretora geral do IDSM, Ana Rita Pereira Alves, a ida da equipe do governo foi além da sua expectativa. "É a primeira vez, em 14 anos, que o governador do Estado vem a Mamirauá. A visita nos surpreendeu pelo resultado prático apresentado nas propostas do Governo".
A RDS Mamirauá assim como a de Amanã é administrada pelo IDSM, por meio de um convênio de gestão com o Governo do Estado, através do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). No próximo dia 2, será assinado o contrato de prorrogação do convênio por mais quatro anos.
Participaram, ainda da missão a secretária de Saúde Leny Passos; de Ciência e Tecnologia, Marilene Corrrêa; a chefe da Agência de Comunicação, Margareth Queiroz; o presidente do Idam, Lúcio Rabelo; o gerente da Agência de Florestas da SDS, Malvino Salvador; o secretário extraordinário José Maia; o vice-reitor da Universidade do Estado do Amazonas, José Cyrino Dantas; o presidente do Centro de Ensino Tecnológico do Amazonas, Vicente Nogueira; a presidente da Amazonastur, Orenir Braga e o presidente da Agroamazon, Valdelino Cavalcante. Todos vão trabalhar projetos em parceria com o Instituto Mamirauá.
(-Amazonas Em Tempo-Manaus-AM-27/07/04)