Policiais derrubaram construções irregulares na ilha

Amazônia Jornal on line - http://www.orm.com.br/ - 08/06/2013
Uma força-tarefa formada por oficiais de Justiça Federal, técnicos da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), uma delegada da Delegacia do Meio Ambiente (Dema), além de policiais federais e militares e do Corpo de Bombeiros cumpriram, na ilha de Algodoal, em Maracanã, dois mandados de reintegração e manutenção de posse de edificação que há anos tinham sido erguidas em área de manguezal e em dunas daquela ilha, oficialmente chamada de Maiandeua. O cumprimento das duas decisões judiciais ocorreu com pequenas discussões entres as partes envolvidas. Mas antes que fosse cumprido um terceiro mandato, para a retirada de um bar na praia da Princesa, o dono do estabelecimento se prontificou ele mesmo fazer o desmonte da obra irregular.

Nos dois primeiros locais visitados pela força-tarefa também funcionavam bares sendo que, no caso das construções no mangue, um deles era reduto de adeptos do reggae, e o segundo, montado no alto de uma duna cartão postal de Algodoal recebia turistas dispostos e curtir o visual do mar. Em ambos, segundo a polícia, a venda e o consumo de drogas eram liberados. A ilha também é considerado um local onde a maconha é consumida livremente pelos usuários de todas as classe sociais. Repressão, ainda segundo a polícia, quase não existe, nem mesmo em épocas de grande fluxo de turistas, como nas festas de final de ano, veraneio no mês de julho e feriadões.

De autoria do juiz federal Omar Bellotti, da Vara Única de Castanhal, os mandados de reintegração estão sendo considerados, principalmente pelos que lutam para preservar o lugar, iniciativas históricas em uma Área de Preservação Ambiental (APA) que, nos últimos 20 anos, vem sendo alvo de uma constante depredação do seu meio ambiente, com retirada de pedras, areia para a construção de casas, a maioria delas pertencentes a pessoas que não residem no lugar, apenas a usam para curtir o veraneio. Sem rede de esgotos, a população nativa sofre com o mau-cheiro, já que os dejetos saem dos quintais para impregnar a areia das ruas e travessas.

Natureza - Nessa guerra na qual quem sempre vem perdendo é a natureza, nativos da ilha e os que vêm de fora, quase sempre identificados por "gringos", travam uma disputa desigual. Dezenas de nativos foram todos enganados, ou porque foram gananciosos, vendendo suas casas a preço baixo. E depois foram morar no mangue, onde construíram casas de matéria do próprio manguezal. Hoje existe um bairro na ilha, batizado de Camanbá, onde residem pelo menos 200 famílias, a maioria delas formada por nativos.

Desapropriação de terrenos pode ser saída para moradores

Um técnico da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) disse que muitos terrenos que há anos não são utilizados pelos seus proprietários, todos bem longe de Algodoal, podem ser desapropriados para que sejam usados como área de remanejamento dos que residem no bairro Camanbá. Basta dar uma volta na vila da ilha para ver que são muitos, e grandes, esses terrenos "esquecidos" pelos seus donos.

Foi nesse bairro que Elton Teixeira, mais conhecido por DJ Varela, montou, 13 anos atrás, o bar Raízes do Mangue, que foi totalmente destruído pela força-tarefa. Ele disse que sumiram muitos objetos de dentro do bar, e que o seu gerador de energia elétrica foi danificado. Prometeu fazer ocorrência policial, e ao mesmo tempo disse que vai "se vingar", sem esclarecer de que forma. Já Luana Colei Paiva Pimenta de Melo, dona da casa erguida há 18 anos sobre uma duna, diz que "os nativos é que sempre são os mais prejudicados, os mais perseguidos pelos orgãos ambientais". Os dois disseram que vão articular um abaixo-assinado para que Algodoal deixe de ser uma Área de Proteção Ambiental (APA).

No meio do fogo cruzado está o agente distrital da ilha, José Maria Silva Rabelo. Ele é conhecido por Cacaia, e está sendo acusado de ter incentivado a derrubada dos três bares. Uma injustiça já corrigida por Gilvan Lima, um dos dois oficiais de justiça federal que estão em Algodoal. "Pelo contrário, ele está colaborando para ajudar os que tiveram seus bares desmontados", disse Gilvan.

Há seis meses no cargo, o agente disse que tem conseguido fazer uma limpeza geral nas ruas da vila, coletando o lixo produzido pelos nativos e turistas, e que antes era queimado na praia pela administração anterior de Maracanã, e enviando tudo para a sede do município, onde é jogado em um lixão. "Estou tranquilo, não prejudico ninguém", afirma Cacaia.



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UC:APA

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