Extrativistas usarão energia da biomassa

Página 20-Rio Branco-AC - 21/01/2004
A exemplo do Acre, Rondônia também pretende aproveitar potencial abundante existente na Amazônia.
A exemplo do Acre, que este ano dará seus primeiros passos rumo a um grande projeto de geração de energia a partir de óleos vegetais, visando fomentar parte de sua economia florestal, o vizinho Estado de Rondônia também já se articula em Brasília para garantir a transformação em energia a abundante biomassa existente na Amazônia brasileira.

Neste sentido, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) acaba de aprovar o repasse de cerca de R$ 1 milhão para a implementação da primeira central termelétrica que irá produzir eletricidade naquele estado a partir do aproveitamento de resíduos de madeira. O projeto vai beneficiar a comunidade da reserva extrativista de Cautário 1, situada no município de Costa Marques, a 700 km de Porto Velho.

No Acre, o governo do Estado e os gabinetes do senador Sibá Machado e dos deputados Zico Bronzeado e Ronald Polanco já vêm executando ações em vários ministérios com o fim de capacitar o Acre a começar produzir energia a partir de óleos vegetais, consolidando de vez o chamado ciclo de biodiesel, que vem obtendo sucesso em muitos países da Europa, em particular na Alemanha. Os acreanos esperam, com isso, atender grande parte da demanda de energia que se formará no Estado com previsível fortalecimento de sua economia de base florestal.

Em Rondônia, as famílias da comunidade de Cautário 1, que é uma das integrantes da Associação dos Seringueiros do Vale do Rio Guaporé, sobrevivem com a extração do látex, de castanha, da copaíba, da atividade madeireira sustentável com planos de manejo autorizados e regulares, do beneficiamento da madeira em uma serraria, do artesanato e do ecoturismo. Devido à baixa qualidade da energia hoje disponível e aos altos custos de geração, com geradores movidos a óleo diesel, a produção da comunidade, a partir dos recursos madeireiros, está abaixo do potencial.

O projeto da central termelétrica a partir de resíduos de madeira terá por objetivo justamente o de melhorar o fornecimento de energia e a produção daquela comunidade. O projeto piloto em Rondônia será desenvolvido em dois anos pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE), com capacidade inicial de produção de 200 kw. A iniciativa contará com a parceria do Centro Nacional de Referência em Biomassa da Universidade de São Paulo (Cenbio/USP), Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) e do Ministério do Meio Ambiente, contando também com o apoio da Aguapé, da Ação Ecológica do Vale do Guaporé (Ecoporé), do Governo de Rondônia e da Universidade de Rondônia (Unir), entre outros.

Para executar o projeto, caberá ao Ministério do Meio Ambiente, por meio do Projeto Negócios Sustentáveis, do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), disponibilizar todas as informações sobre projetos e pesquisas já desenvolvidas na região nas áreas de treinamento, qualificação, estudos socioeconômicos, cadeias produtivas e organização comunitária. A implementação do projeto deve começar logo após o início do repasse dos recursos.

O engenheiro Carlos Machado Paletta, do Cenbio/USP, informou ao Ministério do Meio Ambiente que duas tecnologias serão testadas já na fase inicial do projeto piloto - a de gaseificação dos resíduos de madeira e a de ciclo a vapor - para definir qual poderá melhor atender comunidades isoladas, tanto nos aspectos técnicos como financeiros. "Um projeto desse tipo e com esse porte será inédito no Brasil", afirmou Carlos Paletta. As entidades envolvidas no projeto devem construir um modelo sustentável e replicável de geração de eletricidade a partir da biomassa.

Técnicos do MMA garantem que os benefícios ambientais diretos do projeto serão a substituição total dos geradores atuais, que funcionam com diesel, lançando poluentes na atmosfera, e o uso de uma fonte renovável e sustentável, que é o resíduo de madeira. O ministério estima que a economia com o corte do consumo de óleo na reserva extrativista de Cautário 1 pode chegar a mais de R$ 4 mil por mês.
(Romerito Aquino-Página 20-Rio Branco-AC-21/01/04)

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