The news published here are searched daily in different sources and transcribed here as shown in the original location. The Instituto Socioambiental does not take any responsibility for errors or opinions published in those texts.

Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
17/04/2003
Conselho garante protecao a habitat de cervos-do-pantanal

O Conselho Estadual de Meio Ambiente de São Paulo (Consema) aprovou ontem o acordo de compensação ambiental da usina Três Irmãos da Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), que deve garantir proteção às últimas áreas inundáveis naturais do Estado, hábitat do cervo-do-pantanal e diversas outras espécies típicas de varjões.

A foz do Rio Aguapeí será transformada em um Refúgio de Vida Silvestre de 15.960 hectares, formando uma área contínua de 25 mil hectares com o Parque Estadual do Aguapeí, que também é uma compensação ambiental, relativa à usina Sérgio Motta (antiga Porto Primavera). A área será gerida pela concessionária de energia, que também responderá pelo plano de manejo e levantamento de flora e fauna.

A 30 quilômetros dali, foi aprovada ainda a ampliação do Parque Estadual do Rio do Peixe, em 4.100 hectares, totalizando uma área de 11.820 hectares, e o reflorestamento de 371 hectares do remanescente de reserva florestal da Lagoa São Paulo, nas margens do Ribeirão do Veado, um dos afluentes do rio Paraná.

A ampliação do parque ainda depende da assinatura de um decreto estadual, enquanto as demais medidas já estão acertadas com a Cesp. A Comissão Especial de Energia do Consema deverá acompanhar a implementação do acordo, assim como representantes da sociedade civil organizada.

"A decisão de criar um Refúgio de Vida Silvestre é melhor do que uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), porque se trata de uma unidade de conservação de proteção integral, que prevê zonas de amortecimento e corredores ecológicos no seu entorno", comenta Djalma Weffort, da entidade ambientalista Apoena.

"Mesmo que a Cesp venha um dia a ser privatizada, neste trecho, o novo controlador terá a obrigação de cuidar da área, portanto é um ganho significativo que começa a atrair interesse de pesquisadores e até das prefeituras, agora habilitadas a receber ICMS".

As novas áreas protegidas também devem reduzir a mineração de areia e argila que ameaça os varjões, assim como fortalecer a fiscalização contra a caça do cervo para venda de galhadas ou cabeças empalhadas, uma atividade ilegal que afeta a população da espécie. De acordo com alguns censos realizados por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), atualmente a população de fêmeas de cervo já é bem mais numerosa do que a de machos, fato que pode estar associado a esta modalidade de caça, já que só os machos desta espécie possuem a galhada, considerada um troféu.
(-Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ-17/04/03)