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ICMBio - www.icmbio.gov.br
09/09/2009
Equipe registra sete especies de felinos no interior do Parna Grande Serao Veredas

Uma outra pesquisa que vem sendo feita no Parque Nacional (Parna) Grande Sertão Veredas, em Minas, busca registrar as espécies de felinos que habitam a região. Os pesquisadores investigam a importância desses animais para a preservação da biodiversidade. Segundo o coordenador da equipe, o biólogo Edsel Júnior, do Instituto Biotrópicos, quanto mais indivíduos dessa espécie houver na natureza, melhor para o meio ambiente.

Até agora os pesquisadores já catalogaram sete tipos de felinos na Unidade de Conservação: onça-pintada, onça-parda, jaguatirica, gato-maracajá, gato-do-mato, gato-mourisco e gato-palheiro. "Isso é muito bom, havendo esses animais significa que toda a cadeia alimentar e processos ecológicos estão presentes e bem preservados," afirma Júnior. "A onça-pintada e a onça-parda, por exemplo, precisam de grandes áreas para habitar," reforça ele.

O Grande Sertão Veredas abriga o que ainda resta de cerrado preservado em Minas Gerais. Por isso, a equipe liderada por Júnior, que é formada pelos pesquisadores Joaquim de Araújo Silva, Marcelo Juliano, Joares May Jr, José Romildo e Guilherme Braga, estuda essas espécies por lá. "É o ambiente natural delas, sem muita influência humana," explica Júnior.

A equipe utiliza um sistema de radiotelemetria para fazer o monitoramento dos animais no ambiente do Parna e no entorno. Por esse sistema, os bichos são capturados em armadilhas, presos pelas patas e, depois de sedados, recebem um tipo de colar com transmissor de rádio. É um procedimento comum para o estudo de felinos. Foi utilizado pela primeira vez no Brasil no final da década de 70, numa pesquisa com onça-pintada no Pantanal Matogrossense.

No Parque Nacional Grande Sertão Veredas, os pesquisadores instalaram o colar em 12 bichos e acompanham diariamente o deslocamento deles. Os cientistas raramente se aproximam dos animais, a não ser quando os capturam para colocar o equipamento transmissor. Também vão até eles quando ficam muito tempo parado num mesmo local. "Houve uma onça que ficou a noite toda parada, só saindo no outro dia pela manhã. Fomos ver o que fez ela ficar quieta toda noite e vimos pegadas dela com filhote. Estava descoberto o mistério. Ela havia dado cria," conta o coordenador da pesquisa.

Esses tipos de carnívoros são normalmente solitários. Depois de algum tempo sob os cuidados das mães, passam a viver independentes. "Os felinos só se juntam na época de reprodução, e o filhote fica com mãe até uns dois anos de vida, mais ou menos, para aprender a caçar. Depois vai procurar sua própria área", diz Júnior. Até o momento os pesquisadores ainda não têm dados precisos de quantos indivíduos existem na UC. Só terão esses números em detalhes na conclusão dos trabalhos, no final de 2010.

Edsel Júnior conta que após análises dos dados conseguidos nessa pesquisa, eles pretendem criar mapas indicando locais em que os animais são encontrados, inclusive fora da UC, onde também há espaços propícios para essas espécies viverem. "Dependendo dos resultados, poderemos propor modificações no plano de manejo do parque e até a criação de outras unidades de conservação na região," adianta o pesquisador.

Ele acrescenta que, ao finalizar os estudos, vão encaminhar as informações aos órgãos ambientais e gestores públicos "que poderão tomar as medidas como criar, expandir e melhorar o planejamento da UC e sua regiões de entorno, baseando-se nos resultados obtidos."

Além das análises biológica e de comportamento dos felinos, os pesquisadores avaliam a percepção dos moradores do entorno do parque com relação à presença desses animais. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância dessas espécies para o equilíbrio ambiental e dar orientações sobre como evitar ataques dos grandes felinos a animais domésticos. Para saber mais sobre o trabalho da ONG Biotrópicos acesse www.biotropicos.org.br.