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ICMBio - http://www.icmbio.gov.br/
15/12/2014
Gaviao-real e reintegrado a natureza na Bahia

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) devolveu no início do mês de dezembro uma Harpia fêmea à natureza. A ave, também conhecida como Gavião-real, estava em reabilitação havia 28 meses e foi reintegrada ao seu habitat natural por uma equipe multidisciplinar de especialistas do Projeto Harpia na Mata Atlântica. A soltura ocorreu no Parque Nacional do Pau Brasil (BA) no dia 05.

A Harpa fêmea foi encontrada na Fazenda Sertaneja em Vera Cruz, que fica no entorno da Unidade de Conservação (UC), em Porto Seguro, no mês de junho de 2012. Este foi o terceiro exemplar da espécie solto dentro do Parque. "Estima-se que deve ser uma jovem de aproximadamente dois anos, proveniente da própria UC", explicou a coordenadora do Programa de Conservação do Gavião-real, Tânia Sanaiotti.

A ave foi resgatada pela Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA), encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do estado e avaliada pelo Centro Médico Veterinário (Cemeve) de Eunápolis/BA. O animal foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e em seguida foi transferida para o harpiário - cativeiro para manutenção e reabilitação da Harpia - da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel (BA). Durante dois anos, a fêmea passou por processos de reabilitação sob os cuidados do Projeto Harpia na Mata Atlântica.

O Projeto Harpia na Mata Atlântica começou em 2007 por meio de uma parceria firmada entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ICMBio e as ONGs SOS Falconiformes e Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR). O objetivo é estudar as harpias de vida livre que habitam os fragmentos florestais da RPPN Estação Veracel, Estação Pau-Brasil e Parque Nacional do Pau Brasil, além de estimar a riqueza e abundância das espécies de falconiformes - ordem a que pertencem os gaviões - na região, sensibilizando as comunidades sobre a importância ecológica dessa espécie e sua conservação.

O chefe do Parque Nacional Pau Brasil, Fábio André Faraco, disse que a soltura da fêmea é um evento raro, extraordinário e importante para a UC, já que uma das propostas do Projeto Harpia na Mata Atlântica é reabilitar gaviões e reintroduzi-los nas matas locais com condições de sobreviver naturalmente.

"Isso permite a recomposição de parte importante da fauna. Por ser um animal de topo de cadeia, a sobrevivência dele é condicionada a uma floresta em bom estado de conservação. Esse evento possibilita ainda que a comunidade local, regional e nacional valorize e reconheça a importância de se preservar áreas como o nosso parque e as inúmeras espécies da Mata Atlântica Brasileira", ponderou Faraco.

"É uma honra poder apoiar o projeto de reabilitação deste animal, contribuindo para o estudo de uma espécie que é, ao mesmo tempo, belo e importante. Seu papel possui relevância na cadeia alimentar e representa um importante indicador ambiental", ressaltou a Coordenadora da RPPN, Virgínia Camargos.

De acordo com o biólogo Jorge Sales Lisboa, da ABFPAR, o Parque permite receber essa ave devido à densidade, território e alimentação que dispõe. "Ela precisa permanecer em um território com 4km de distância entre o seu ninho e o ninho de outra ave da mesma espécie e sexo. Esse indivíduo foi solto em uma área do Parque com distância suficiente para que não haja confronto com as Harpias reintegradas anteriormente. Esperamos que ela se estabeleça, forme o ninho e se reproduza. Só aí teremos certeza de que a reabilitação foi um sucesso", explicou Lisboa.

Monitoramento

Em abril de 2013, o gavião recebeu um protótipo, com peso e aspecto semelhante ao transmissor via satélite que foi instalado um mês antes da soltura, para viabilizar seu monitoramento. O protótipo foi substituído, em novembro de 2014, pelo equipamento definitivo, que inclui um transmissor via satélite ARGOS e um segundo transmissor VHF acoplado ao anterior, permitindo o rastreamento. A Harpia também recebeu anéis de identificação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio). A primeira Harpia adulta foi solta no Parque Pau Brasil em 2008 após passar pela avaliação dos pesquisadores do projeto e foi o segundo animal da espécie no Brasil a ser monitorado via satélite.

O monitoramente é diário e intensivo nos primeiros 21 dias. Depois, o satélite emite informações a cada dez dias, durante dois anos e meio. A equipe parceira trabalha junto às comunidades vizinhas ao Parque para sensibilizar as pessoas sobre a proteção da espécie e aviso em caso de avistamento das aves devolvidas à natureza.

O Projeto Harpia na Mata Atlântica faz parte do Programa Nacional de Conservação do Gavião-real (PCGR), do INPA, e também conta com apoio da Sociedade de Pesquisa do Manejo e Reprodução da Fauna Silvestre (CRAX).

Sobre o Parque Nacional do Pau Brasil

O Parque Nacional do Pau Brasil é uma Unidade de Conservação administrada pelo ICMBio na Costa do Descobrimento, extremo sul da Bahia. Possui uma área de 19.020 hectares de Floresta Atlântica. O acesso é feito pela BR-367 no distrito de Vale Verde, em Porto Seguro.

Classificada como Unidade de Proteção Integral, o Parque foi criado em 20 de abril de 1999. O clima da UC é úmido tropical. O Parque está em fase de finalização do processo de elaboração do Plano de Manejo para abertura à visitação.

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