Parque Nacional do Pico da Neblina
Área
2.200.000,00ha.
Document area
Decreto - 83.550 - 05/06/1979
Jurisdição Legal
Amazônia Legal
Ano de criação
1979
Grupo
Proteção Integral
Instância responsável
Federal
Mapa
Municípios
Município(s) no(s) qual(is) incide a Unidade de Conservação e algumas de suas características
Municípios - PARNA do Pico da Neblina
| # | UF | Município | População (IBGE 2018) | População não urbana (IBGE 2010) | População urbana (IBGE 2010) | Área do Município (ha) (IBGE 2017) | Área da UC no município (ha) | Área da UC no município (%) | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | AM | Santa Isabel do Rio Negro | 14.164 | 7.262 | 6.902 | 6.280.311,30 | 1.592.764,06 |
|
70,78 % |
| 2 | AM | São Gabriel da Cachoeira | 51.795 | 25.195 | 26.600 | 10.871.265,50 | 657.421,88 |
|
29,22 % |
Ambiente
Gestão
- Órgão Gestor: (ICMBIO) Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
- Tipo de Conselho: Consultivo
- Ano de criação : 2012
Documentos Jurídicos
Documentos Jurídicos - PARNA do Pico da Neblina
Documentos de gestão - PARNA do Pico da Neblina
| Tipo de plano | Ano de aprovação | Fase | Observação |
|---|---|---|---|
| Plano de uso público | 2018 | Aprovado |
Sobreposições
Conheça as sobreposições entre a Unidade de Conservação com outras Áreas Protegidas.
| Área Protegida | Área sobreposta à UC (ha) | Porcentagem da sobreposição |
|---|---|---|
| REBIO Morro dos Seis Lagos | 40.267,00 ha | 1,79% |
| TI Balaio | 244.190,00 ha | 10,85% |
| TI Yanomami | 1.130.579,00 ha | 50,24% |
| TI Médio Rio Negro II | 49.113,00 ha | 2,18% |
| TI Cué-Cué/Marabitanas | 199.032,00 ha | 8,85% |
Não há informações no mapa sobre UCs sobrepostas que não se enquadram no SNUC (Sistema Nacional de Unidade de Conservação).
Características
Histórico
O Pico da Neblina, como o próprio nome ressalta, está quase todo o tempo encoberto por nuvens e é em razão deste fato que por muito tempo ficou desconhecido no Brasil, sendo primeiramente descoberto pela Venezuela. Num sobrevoo à região descobriu-se que o Pico estava em terras brasileiras, mas por fazer divisa com a Venezuela, era considerado como "terra de ninguém" até a década de 60, pois a fronteira entre o Brasil e a Venezuela ainda não havia sido definida. Até que em 1962, depois de árduos trabalhos de demarcação da fronteira entre o Brasil e a Venezuela foi reconhecido como brasileiro (MARLEINE; et al, 1997).
A partir daí, sentiu-se a necessidade da criação do Parque. A unidade foi criada em 5 de junho de 1979, no Dia Mundial do Meio Ambiente, pelo presidente General João Figueiredo. O Parque Nacional brasileiro tem aproximadamente 2,2 mihões de hectares e abriga os dois maiores picos do país - o da Neblina, com 3.014 m de altitude, e o 31 de março, com 2.992 m (IBGE, 2010 apud Governo do Estado do Amazonas).
Com relação à sua gestão e implementação, a unidade conta com conselho consultivo criado em 2012 e não apresenta plano de manejo até abril de 2015, o que dificulta o estabelecimentos dos usos no parque.
O Parque Nacional do Pico da Neblina encontra-se fechado para visitação e uso público por recomendação do Ministério Público Federal desde 2003. Segundo o blog do Parque Nacional Pico da Neblina, o ICMBio tem trabalhado em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Associação Yanomami do Rio Cauaburi e Afluentes (AYRCA) e com o Ministério Público Federal para a reabertura e ordenamento da atividade turística no Parque, sobretudo para a visitação ao Pico da Neblina. O que motivou a recomendação de fechar o Parque foi a prática do turismo desordenado, que causou impactos socioambientais relevantes para a população residente e ao meio ambiente.
Sobreposições
O Parque está sobreposto às Terras Indígenas Cué-Cué/Marabitanas, Médio Rio Negro II, Baleio, Yanomami, sendo que com esta última a sobreposição é de aproximadamente 50%, e a Reserva Biológica Morro dos Seis Lagos. Esta sobreposição gera desafios em conciliar a gestão e soberania do território. Além disso, pelo fato de se localizar em uma área fronteiriça, há a presença do exército.
Localização
O Parque Nacional Pico da Neblina está localizado no norte do estado Amazonas e conflui com o Parque Nacional Cerro de La Neblina, no lado venezuelano da fronteira, de aproximadamente 1.360.000 hectares
O Parque fica no estado do Amazonas, no município de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro O acesso pode ser feito tanto por vias fluviais, através do igarapé Itamirim e dos rios Cauaburi e Sá, quanto por via aérea, com pequenos aviões que saem de Manaus.
Aspectos naturais
O relevo do parque divide-se em três unidades: planalto sedimentar Roraima, planalto Amazonas-Orenoco e pediplano Rio Branco-Rio Negro (KRAUSE; et al, 1996). No primeiro, as altitudes variam de 1,200 a 3,014 metros, onde se localiza o Pico da Neblina (KRAUSE; et al, 1996). O planalto Amazonas-Orenoco, localizado entre as bacias dos rios Orenoco e Amazonas é uma extensa área montanhosa em que as altitudes variam de 1.200 a 2.000 metros, com destaque as serras do Padre, Marié Mirim e Imeri (KRAUSE; et al, 1996). Finalmente, a terceira unidade é uma superfície de aplainamento, com altitudes de 80 a 160 metros, além do o morro dos seis lagos que abriga uma das maiores jazidas de nióbio do mundo (KRAUSE; et al, 1996). As riquezas minerais despertam uma gama de interesses, e a região já foi invadida por garimpeiros e empresas de mineração em busca de concessões de lavra, inclusive com capital estrangeiro (IBAMA, 2001; Kirovsky, 2004).
Extremamente valioso em sua flora, foi considerado pelos primeiros botanistas um dos lugares de maior biodiversidade e endemismo do planeta, embora faltem estudos que o comprovem. A cobertura vegetal da área compreende matas de terra firme, igapós, e pequenas áreas de campinarana, conhecidas como caatinga do Rio Negro. Nas formações arbóreas densas observa-se grandes freqüências das seguintes espécies: Caraioa taquari, Clusia cf. columaris, Mauritia flexuosa. Nas formações de floresta aberta são comuns: Humiria balsamifera, Eperua purpurea, Hevea rigidifolia (IBAMA, 2001; Kirovsky, 2004). Também são bastante ocorrentes Micropholis guianensis, Licania membranacea, Swartzia viridifolia, Pouteria engleri, Qualea albiflora, Astrocaryum mumbaca, nas formações mais densas, e Orbygnia cf. racemosa, Puteria guianensis, Carvocar glabrum nas mais abertas (IBAMA, 2001; Kirovsky, 2004). À medida em que se adentra os primeiros degraus do Planalto das Guianas, sucedem-se as florestas submontanas, até cerca de 1000m de altitude, e as florestas montanas. A vegetação vai até acima dos 2000 metros, na forma de líquens e bromélias (IBAMA, 2001; Kirovsky, 2004).
Da mesma forma apresenta-se a fauna do PARNA Pico da Neblina, rica e diversificada, com destaque para o uacari de cabeça-preta e o sagui-de-cabeça-vermelha, dentre diversas espécies de interesse ecológico e algumas ameaçadas de extinção, como o macaco-aranha.
Pressões e Ameaças
A unidade de conservação sofre com com os conflitos associados à presença de garimpeiros e extratores de cipó que, pela intensidade das atividades, descaracterizam a área, muitas vezes, de forma irreversível. Há relatos de danos ambientais causados por estas atividades, com destaque para a contaminação por mercúrio em certas áreas (IBAMA, 2001; Kirovsky, 2004).
Além do problema citado, há mineração ilegal, extrativismo vegetal e extração de madeira.
Referências
KRAUSE, G. et al. Brasil Parques Nacionais. Parque Nacional Pico da Neblina. São Paulo, Empresa das Artes, Brasília, Ibama, 187 p. , 1996.
MARLEINE, C. et al. Nossos Parques Nacionais. Parque Nacional Pico da Neblina. Banco Volkswagen, 184 p. , 1997.
IBGE (2010) apud Governo do Estado do Amazonas. Dados. Disponível em: http://www.amazonas.am.gov.br/o-amazonas/dados. Acessado em: março de 2015.
Parque Nacional Pico da Neblina [internet]. Visitação. Amazonas: Parque Nacional Pico da Neblina. Disponível em: http://parquedopicodaneblina.blogspot.com.br/p/visitacao.html. Acessado em junho de 2015.
KIROVSKY, A. L. . Ictiocoria em Thurniaceae (Monocoledonia - JUNCALES) em um igarapé da Amazônia Central, da Reserva Florestal Adolfo Ducke, AM. In: Renato Cintra. (Org.). História Natural, Ecologia e Conservação de Algumas Espécies de Plantas e Animais da Amazônia. 01ed.Manaus: Edilia, 2004, v. 01, p. 173-178.
Contato
Chefe da Unidade: Flávio Bocarde (flavio.bocarde@icmbio.gov.br)Endereço: Rua Dom Pedro Massa, 51 - Centro -
CEP 69750-0000 São Gabriel da Cachoeira - AM
Coordenadoria Regional (ICMBio): Caio Marcio Paim Pamplona
Endereço CR: Av. do Turismo, 1350 - Tarumã
CEP: 69041-010 - Manaus/AM
Tel: (92) 3613-3080
(92) 3232-7040
(92) 3303-6443
Email: cr.manaus@gmail.com
Outros: Paulo Damasceno (chefe); Ézio Borba (gerente) - Fonte: Pico da Neblina: Origens de Nossa Civilização - Márcio Souza. 2001. RJ. Agir. 176p.