As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

Portal Amazonia - http://portalamazonia.com
02/06/2016
Dados sobre cadeia produtiva de jacares na Amazonia sao compilados em livro

Livro fala sobre cadeia produtiva de jacarés; ambiente, comércio e sociedade; crocodilianos; espécies amazônicas, entre outros.

Após seu apogeu, entre as décadas de 1950 e 1970, a cadeia produtiva de exploração de jacarés começou a declinar em 1967, ano em que houve a proibição da caça profissional. Com o intuito de auxiliar estudiosos e populações tradicionais a retomarem as atividades com jacarés na Amazônia, o médico veterinário Augusto Kluczkovski Júnior reuniu em um livro informações sobre a cadeia produtiva de jacarés na Amazônia.

Intitulado "Cadeia produtiva de jacarés da Amazônia: aspectos técnicos e comerciais", a obra é dividida em oito capítulos que abordam as seguintes temáticas: cadeia produtiva de jacarés; ambiente, comércio e sociedade; crocodilianos; espécies amazônicas; abate e processamento da carne; caracterização nutricional; rendimento da carcaça; produtos; exploração da pele. Segundo o pesquisador, a literatura preenche uma lacuna evidenciada por muitos estudiosos da região.

"Nosso grupo de pesquisadores se esforçou para resgatar essa cadeia, porém, enfrentamos obstáculos impostos em diversas instâncias e uma das justificativas sempre foi que não existia informação pertinente acerca dessa cadeia produtiva. Fato que não era verdade, pois há diversas publicações científicas sobre o assunto. Então, a proposta básica foi de agrupar essas informações em um livro e facilitar o acesso e a linguagem aos técnicos e às populações", disse Augusto.

De acordo com o médico veterinário, o livro aborda, entre outros pontos, a caracterização da cadeia produtiva, descreve e insere os jacarés amazônicos dentre os crocodilianos existentes no mundo.

"A literatura também demonstra as técnicas de abate e processamento para obtenção de carne e pele testadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Piagaçú-Purus e avalia a produção de carne das espécies econômicas, o jacaré-açu (Melanosuchus niger) e jacaretinga (Caiman crocodilus)", disse o pesquisador.

Além do resgate da cadeia produtiva de jacarés amazônicos, o livro pretende favorecer a agregação de valor ao produto que, segundo o veterinário, hoje é explorado de forma ilegal.

"A valorização desse recurso favorece a conservação das espécies de jacarés, sendo este, o uso sustentável, um modelo de conservação utilizado para crocodilianos em todo o mundo (Estados Unidos, Àfrica, Austrália, Filipinas e outros)", disse Augusto.

A obra também serve como literatura de apoio para graduação de cursos ligados ao meio ambiente, ciência de alimentos e pesca, e pode ser usada como guia para encaminhamento de pesquisas a serem continuadas ou implantadas. "Os exemplares do livro foram distribuídos a bibliotecas de universidades públicas e pesquisadores da área", informou o pesquisador.

O livro contém estudos do médico veterinário Augusto Kluczkovski, responsável pela obra, que atua como fiscal de fiscalização da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), da farmacêutica Ariane M. Kluczkovski, do biólogo Boris Marioni e dos engenheiros de pesca Aline Souza e Antônio José Inhamuns.

Relato histórico

Livro reúne dados sobre a cadeia produtiva de jacarés na Amazônia "Durante as décadas de 1950 até 1970, o Amazonas era um grande produtor de couros e o de jacarés era o mais importante entre esses produtos. O Estado até competia diretamente com Louisiana USA. Grandes empresários amazonenses como Isaac J. Benzecry, mais antigo, e Manoel Rodrigues da Silva (Manoel Chicó - Frigopesca Manacapuru), mais atual, tiveram empreendimentos que atuavam na área e tiveram bastante lucro com a atividade relacionada ao jacaré além de muitos pescadores que tinham em seu rol de pescado o jacaré, para venda do couro e entregavam o produto em regatões. Com a proibição da caça profissional, em 1967, a atividade declinou e foi desaparecendo até 1971, quando os últimos estoques foram processados no curtume canadense de propriedade da família Benzecry. Atualmente, a carne salgada, vendida ilegalmente, ainda auxilia na renda de muitas famílias do interior", relatou Kluczkovski.

http://portalamazonia.com/noticias-detalhe/meio-ambiente/dados-sobre-cad...