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FSP, Cotidiano, p. B6
28/09/2017
Numero de incendios bate recorde de 20 anos no pais

Número de incêndios bate recorde de 20 anos no país

THIAGO AMÂNCIO
DE SÃO PAULO

Um incêndio controlado só no domingo (24) destruiu 1.200 hectares de mata atlântica na serra da Bocaina, divisa de SP com RJ. A Chapada dos Guimarães, em MT, perdeu 4.300 hectares entre agosto e setembro. No parque da Ilha Grande (divisa de MS com o PR), chamas queimaram 35 mil hectares. O Parque Nacional do Araguaia, no TO, também sofre com o fogo.
Este ano vem batendo recordes de queimadas. Só nos primeiros 27 dias de setembro, o sistema de monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já identificou 105 mil focos de incêndio, recorde desde que o instituto começou a monitorá-los, em 1998. Em setembro de 2016, foram 44 mil focos. A média para o mês é 55 mil.
O acumulado de janeiro a setembro também é o maior da série histórica, com 195 mil focos, 51% a mais que 2016. Especialistas ouvidos pela Folha são unânimes quanto à origem do fogo: "Nessa época do ano, praticamente 100% dos incêndios são causados por ação humana", diz Gabriel Zacharias, coordenador do Prevfogo, órgão do Ibama de prevenção e combate às queimadas.
"A intensidade, a expansão, o impacto na vegetação, a dificuldade de combate, tudo isso tem relação com o clima seco e ajuda a propagar o incêndio florestal. Mas isso não começa o fogo, o que começa é a ação humana", diz. Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe, elenca uma série de causas, como facilitar a derrubada de florestas, dar fim à matéria orgânica, impedir que a vegetação renasça e criar pastos.
Cita também conflitos territoriais, descontrole no manejo de plantações e queima de lixo. Não raro, queimadas também são provocadas por fogueiras de caçadores e pessoas que acampam, além de acidentes com automóveis.
E por que este ano é o pior? Pesquisadora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA, Cláudia Ramos, diz que "há uma tendências histórica de que toda vez em que há uma baixa na economia, que o governo fica sem recursos, as ações de comando e controle ficam desfalcadas". Com uma fiscalização menor, as pessoas ficam menos inibidas a iniciar as queimadas, diz.
"O mais importante é não colocar a culpa na seca, que acontece há anos, com maior ou menos intensidade. Enquanto não houver uma fiscalização que consiga dar conta desse monte de queimadas, a gente vai lidar com incêndios florestais. E no ano que vem você vai me ligar de novo para saber por que os incêndios aumentaram", diz.
Setzer, do Inpe, concorda, e não vislumbra uma melhora no cenário nos próximos meses. "Aqui no Sudeste, logo começa a época de chuvas e a tendência é que diminua o número de queimadas. No sul do Pará e em outros lugares, o pico é em outubro."

FSP, 28/09/2017, Cotidiano, p. B6

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