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O Globo, O Pais, p. 11
14/09/2011
Queimadas atingem dez unidades de protecao

Queimadas atingem dez unidades de proteção
Fogo já destruiu 322 mil hectares de floresta; desmatamento atinge quase metade do Cerrado

Catarina Alencastro

BRASÍLIA. O governo federal está preocupado com as queimadas que atingem Unidades de Conservação do país. Neste momento, dez áreas protegidas estão pegando fogo. Em sua maioria, são incêndios intencionalmente provocados, segundo o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello. Este ano, o fogo já queimou 322 mil hectares de área protegida. Em 2010, a destruição atingiu 1,6 milhão de hectares.
A região mais afetada pelas queimadas é a do Distrito Federal. O Parque Nacional de Brasília teve 25% de sua área queimada, e a floresta teve a vegetação nativa consumida pelo incêndio, que, embora controlado, continua ardendo. A polícia suspeita de incêndio criminoso.
- A situação mais crítica é Brasília, em termos de vulnerabilidade em áreas protegidas e áreas de pesquisa. Fiquei impressionadíssima ao sobrevoar a área e ver o que aconteceu no Jardim Botânico, na reserva do aeroporto, na Fazenda Água Limpa (da Universidade de Brasília) e na Floresta Nacional - relatou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconhecendo que a falta de bombeiros é um problema.
Segundo ela, há municípios expostos à seca que não têm brigadistas. Nesses casos, quando necessário, a União age como intermediária entre os estados para deslocar bombeiros.
Além das queimadas, há o problema do desmatamento do Cerrado. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Meio Ambiente, embora o ritmo de desflorestamento no período 2009/2010 tenha caído 0,05% em relação a 2008/2009, o total de mata nativa já derrubado atinge 48,5% do bioma, uma área de 99,1 mil quilômetros quadrados. Maranhão e Piauí são os estados onde o desmate é maior, em decorrência, respectivamente, da pecuária e da soja.
A agropecuária e o carvão que alimentam a indústria siderúrgica nacional são, segundo o governo, os principais vetores de pressão. Não se sabe ainda quanto desse desmatamento foi autorizado e quanto foi ilegal, já que as licenças para desmatar são concedidas pelos estados.
O Ibama informou que, de janeiro a agosto deste ano, 517 autos de infração crimes por relacionados à flora no Cerrado foram lavrados, com a aplicação de R$142,6 milhões.

O Globo, 14/09/2011, O País, p. 11