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12/01/2011
Uma parceria sustentavel em Roraima

Em 1990, os habitantes de dez pequenas comunidades distribuídas ao longo do rio Jauaperi, no sul do estado de Roraima, perceberam que sua fonte de renda e modo de vida tradicional estavam em perigo. Apesar da riqueza ambiental, as comunidades viviam profundos problemas sociais. Sem um sistema adequado de saúde, educação e oportunidades de trabalho, a população jovem estava deixando as vilas, e, muitas vezes, indo parar nas favelas de Manaus (a 30 horas de distância de barco). Ao mesmo tempo, caçadores ilegais, barcos pesqueiros comerciais e problemas sociais começaram a aparecer.

Os ribeirinhos decidiram formar a Associação Amazônia, baseada na comunidade de Xixuaú. Elizama Andrade da Silva, membro da Associação explica: 'É muito dificil preservar quando pessoas de fora, como pescadores comerciais, entram aqui e acabam com tudo, destruindo a natureza. Pessoas assim não sabem o valor de nada.' Por isso, a primeira ação da Associação foi assegurar a posse da terra, 178 mil hectares de floresta tropical, com a criação da reserva comunitária de Xixuaú-Xiparinã. Suas terras são cobertas por diversos habitats na floresta amazônica: terra firme, igapó e campina, cada uma com variedades diferentes de plantas e animais e provendo os meios de vida necessários para as comunidades.

A reserva comunitária de Xixuaú-Xiparinã e a campanha pela Reserva Extrativista

A reserva comunitária de Xixuaú-Xiparinã fica ao lado do rio Jauaperi, um dos rios tributários ao norte do rio Negro. Os biólogos ainda estão se acostumando com a diversidade da flora amazônica. Muitas partes da bacia hidrográfica ainda não foram estudadas, mas se sabe que a Amazônia central possui um dos maiores índices de diversidade de plantas da região. Do ponto de vista da pesquisa científica, a área ainda é considerada virgem e os cientistas estão certos que estudos detalhados serão importantes para descobertas de novas espécies.

As comunidades do Jauaperi criaram a Associação Amazônia com o apoio do escocês Chris Clark, que ajudou no estabelecimento de parcerias de longo prazo, incluindo com conservacionistas na Itália. Juntos, eles conseguiram resultados surpreedendes, como uma nova escola, a redução de malária em 95%, água limpa e energia solar. A Associação Amazônia está trabalhando para que a reserva seja incorporada a todas comunidades do rio Jauaperi para formar a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco - Jauaperi. A reserva está há anos aguardando seu ato oficial de criação, após a realização de todos os estudos pertinentes. A campanha para aprovação da reserva extrativista é apoiada por ONGs incluindo a Rede Rio Negro (patrocinada pelo WWF-Brasil, Fundação Vitória Amazônica e Instituto Sócioambiental, ISA).

Parceria botânico-comunitária

Os ribeirinhos precisavam ainda de novas parcerias para garantir a proteção de uma das maiores reservas extrativistas do país, adquirindo conhecimentos necessários para assegurar sustentabilidade às comunidades. Eles se uniram então ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e ao Jardim Botânico de Kew, da Inglaterra. O objetivo da parceria botânico-comunitária é promover a sustentabilidade na subsistência em longo prazo das comunidades, a conservação da biodiversidade da floresta e a manutenção dos serviços ambientais no baixo Jauaperi.

Especificamente, a parceria botânica pretende desenvolver o conhecimento local, recursos de informática e outras habilidades necessárias para que as comunidades locais possam gerenciar os recursos naturais de uma maneira sustentável, promovendo pesquisa científica da biodiversidade dentro do próprio grupo e para identificar e desenvolver novas oportunidades de geração de renda dentro de níveis compatíveis com a natureza.

O líder em Xixuaú, Thiago de Santos Marinho (Taco), explica porque se envolveu com o estudo de viabilidade do projeto: 'Porque é uma coisa boa para mim, entender tudo que tem em nossa área. Cada vez que vou à floresta com os botânicos, vou aprendendo mais, sempre plantas diferentes'.

A cooperativa comunitária

A parceria do estudo botânico-comunitário pode ajudar a comunidade na sua nova cooperativa comunitária, CoopXixuaú. Essa empresa social composta exclusivamente por ribeirinhos complementa os trabalhos da ONG Associação Amazônia, dando bases legais para atividades comerciais. Elizama Andrade da Silva explica que os três objetivos da CoopXixuaú são os produtos florestais não madeireiros, ecoturismo e artesanato. 'Estabelecemos a CoopXixuaú como meio de ajudar as pessoas aqui. A cooperativa tem apoio de WWF e do ISA, e também boas relações com os índios Waimiri-Atroari do rio Jauaperi para apoiar isso.'

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