Valor Econômico, Brasil, p. A2 - 02/02/2015
Ministro quer incentivar turismo em parques e reduzir burocracia de visto
Fernando Exman e Daniel Rittner
De Brasília
Seguindo a orientação da presidente Dilma Rousseff de reduzir gastos e aumentar as atividades interministeriais para que o governo consiga "fazer mais com menos", o ministro do Turismo, Vinicius Lages, foi atrás de seus colegas do primeiro escalão em busca de parcerias que impulsionem a importância do setor no Produto Interno Bruto (PIB).
Aumentar o fluxo de turistas e incentivar atividades e empreendimentos sustentáveis e de baixo impacto nos parques nacionais é uma das principais potencialidades, já discutida com o Ministério do Meio Ambiente.
Outra decisão de Lages é antecipar a reformulação do Plano Nacional de Turismo (PNT), que passará a valer de 2015 a 2018. A estimativa do ministro é que, ao fim desse período, o setor consiga obter US$ 10 bilhões em receita cambial. No ano passado, essa cifra foi de U$ 6,9 bilhões. A previsão era alcançar US$ 10 bilhões em 2016, mas a meta terá que ser adiada em pelo menos dois anos.
O ministro citou o exemplo dos Estados Unidos, onde 280 milhões de turistas visitam os parques do país, todos os anos. No Brasil, comparou, são 6 milhões - sobretudo em Foz do Iguaçu (PR) e no Parque Nacional da Tijuca (RJ), onde fica o Corcovado.
Segundo o ministro, o patrimônio natural é citado em pesquisas internacionais como o principal atrativo turístico do Brasil, seguido do "estilo de vida" brasileiro. "O patrimônio natural está ligado ao nosso branding", afirmou ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.
"O conjunto de áreas protegidas têm regras muito draconianas, de regras do 'não'", acrescentou Lages, citando normas de manejo, licenciamento e até mesmo a necessidade de orientação dada aos gestores das reservas para que eles sejam mais abertos à ideia de abertura de empreendimentos como hotéis, pousadas e restaurantes, principalmente nas "bordas" das unidades de conservação.
Nessa área, o ministro ainda defende um rearranjo com a Marinha e os órgãos ambientais para que o país aproveite melhor os potenciais turísticos na orla brasileira, com mais empreendimentos como marinhas, por exemplo, e nas ilhas da União.
Outro conjunto de iniciativas que o ministro do Turismo pretende acelerar ocorrerá em torno da Olimpíada. Lages quer fazer um ataque à burocracia na emissão de vistos para estrangeiros e antecipar o calendário turístico envolvendo os Jogos Olímpicos de 2016, a fim de trazer 500 mil estrangeiros para eventos relacionados aos jogos. Para isso, está discutindo com o Itamaraty uma redução das exigências administrativas para vistos nos consulados brasileiros no exterior.
Nos EUA, segundo ele, os trâmites demoram um mês, é preciso pagar US$ 160 e ter passagem comprada. A ideia é cortar o excesso de burocracia sem mexer na reciprocidade dos vistos. "Todas os pontos que formam um ruído, uma barreira física ou processual, devem ser removidos."
A partir desta semana, Lages terá reuniões com empresas do setor - de companhias aéreas a hotéis - para verificar a possibilidade de criação de um "Brazil Pass" durante o que ele chama de "ano olímpico", ou seja, contemplando o período de 12 meses que antecede efetivamente os jogos. O objetivo é criar uma espécie de "passe", por meio do qual o turista estrangeiro possa visitar mais uma cidade brasileira, além do Rio de Janeiro, a um custo reduzido. Para isso, é preciso negociar descontos com as empresas e definir um calendário turístico, com eventos de lazer e corporativos.
O que foi observado durante a Copa do Mundo de 2014 fundamenta essa ideia, explicou o ministro. Os turistas aproveitaram o Mundial de futebol para visitar 491 municípios em todo o país, incluindo as 12 cidades-sede.
Em outra frente, Lages defende parcerias com o Ministério da Agricultura para que se aproveite a Olimpíada a fim de organizar eventos relacionados à alimentação voltada ao alto desempenho de atletas - e impulsionar o turismo de gastronomia.
"O Brasil não tem força simbólica gastronômica como o Peru, o México ou a França", disse o ministro. "A gente pode usar a Olimpíada para fazer essa agenda", completou, citando como exemplos a promoção da rapadura, da tapioca e do açaí.
Lages quer ainda promover ações conjuntas com o Ministério da Pesca e Aquicultura para promover os peixes brasileiros, incluir o setor de turismo na agenda da inovação e desenvolver com o Ministério da Cultura formas de revitalizar as cidades e os centros históricos.
Valor Econômico, 02/02/2015, Brasil, p. A2
http://www.valor.com.br/brasil/3888074/ministro-quer-incentivar-turismo-em-parques-e-reduzir-burocracia-de-visto
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