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29/06/2015
Unidades de conservacao registram 184 focos de incendio em Minas em junho

No primeiro mês do clima seco em Minas Gerais, 184 focos de incêndio foram registrados em Unidades de Conservação (UCs) estaduais e federais, de acordo com o monitoramento por satélite feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Apesar das medidas de prevenção às queimadas nos principais parques mineiros, ainda sofrem com esse tipo de ação criminosa áreas verdes protegidas por lei como a Serra do Rola-Moça, que abriga alguns dos mananciais que abastecem a capital. É o terceiro maior parque em área urbana do país, com 3.941 hectares, que se estendem por Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho.

As áreas de proteção ambiental estaduais (APAE) Cochá e Gibão (em Bonito de Minas) e a do Rio Uberaba, entre outras UCs estaduais de grande, relevância em recursos hídricos e de biodiversidade, também têm sido alvo de sucessivos incêndios criminosos. O mesmo vem ocorrendo em reservas federais, segundo o Inpe, como nos parques nacionais da Serra do Cipó, Serra da Canastra, Sempre Vivas (Diamantina), Grande Sertão Veredas, Vale do Peruaçu; as APAs Pandeiros (Januária, Bonito de Minas), Morro da Pedreira (Cipó), Carste Lagoa Santa, entre outras UCs de grande relevância em recursos hídricos e de biodiversidade.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou ainda que há previsão de contratar 15 brigadistas e três líderes de brigada para a APA Cochá e Gibão, 10 brigadistas e dois líderes para a APA do Rio Pandeiros e cinco brigadistas e um líder de brigada para o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Prevê-se, ainda, durante o período crítico, o monitoramento aéreo diário dos focos de incêndio na região do Alto Médio São Francisco.

O Parque da Serra da Canastra tem 39 brigadistas contratados. Porém, em casos de incêndio, recebe apoio de brigadistas de outros parques nacionais e também do Instituto Estadual de Florestas (IEF). De acordo com a coordenação regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), responsável pela administração das UCs federais, foram acertadas novas contratações de brigadistas e mantidos os quantitativos de 2014 para este ano. Além disso, a equipe do parque está fazendo os chamados aceiros negros, medida que consiste em queimar faixas estreitas nos limites do parque, para evitar que os focos se alastrem pela vegetação.

ROLA-MOÇA

Apesar do sistema de vigilância em funcionamento, "mais de vinte incêndios criminosos" atingiram o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça neste ano, reconhece o gerente técnico do parque, Marcus Vinícius de Freitas. Ele informa que entregou ao Previncêndio em abril o plano de prevenção de incêndios florestais nessa UC, com todas as medidas previstas, incluindo o número de veículos a serem utilizados, alimentação, hospital, abastecimento e reparo de veículos.

Para facilitar o trabalho, o parque foi dividido em seis setores, com a identificação dos acessos, relevo, tipos de material combustível existentes, entre outros dados, para dimensionar o combate aos focos de queimadas. Dessa forma há uma descrição completa da vegetação, dos parceiros que farão o combate às chamas em cada setor do parque. "Quanto menor a área queimada, menor o impacto na natureza". O parque contratou novos brigadistas e hoje conta com 36 homens na linha de fogo, que trabalham por escala. A essa equipe somam-se os brigadistas da Copasa, do Corpo de Bombeiros Militar (Cobom), além das brigadas de incêndio mantidas pelos condomínios da região.

Dentre o conjunto de medidas para tentar evitar queimadas, estão as blitzes educativas que se estendedrão até novembro e o evento "Pedalando no topo", em agosto próximo. Segundo Freitas, também foi criado um grupo de trabalho para fazer ronda diária ao longo de 50 quilômetros na BR-040, que vai da Mutuca até o restaurante da Celinha, para evitar a ação do fogo em oputras unidades de conservação, como a APA de Fechos, o Monumento Natural da Serra da Moeda, a APA Aredes e a APA Sul.

INQUÉRITOS

Apesar do número de incêndios em junho, o delegado Aloísio Daniel Fagundes, titular da 2ª Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Civil, informou que "nenhum suspeito foi preso até o momento". Sobre os inquéritos abertos, em 2014 e neste ano, para aprurar os incêndios criminosos em parques, ele disse que alguns foram concluídos no ano passado. "A polícia tem de priorizar aqueles (incêndios) maiores, mas é difícil comprovar aautoria. Não tem muitos vestígios do autor nos locais. Muitos incênidos começam com um churracso ou com velas acesas", afirmou.
"Segundo a Superintendência de Informações e Inteligência Policial da Polícia Civil de Minas Gerais, não tem como computar inquéritos abertos e concluídos relativos a incêndios florestais, tendo em vista que essa informação é específica de cada inquérito. Desta forma, a única maneira de contabilizar esses dados seria manual, o que demandaria um tempo maior para apuração. Conseguiríamos verificar esses dados somente a partir da próxima semana", informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

PREVINCÊNDIO

O governo do Estado informou que aumentou o aparato de combate aos incêndios florestais. Foi aberto edital de contratação temporária para 408 brigadistas, número este superior aos 330 previstos para 2014. Foram realizados 20 cursos de formação de brigada Previncêndio, além de 15 cursos de resgate e primeiros socorros, todos para os brigadistas contratados, que serão distribuídos entre 44 unidades de conservação, justamente aquelas em que a incidência da ocorrência de incêndios é maior.

Está em curso a contratação de horas-voo de aeronaves de combate aos incêndios (air tractors) em número superior ao contratado em 2014. Essas aeronaves são responsáveis pelo lançamento de água sobre as chamas, possibilitando o abrandamento do fogo e a consequente aproximação dos brigadistas.

Também foram realizadas oito, de um total de 16 ações comunitárias ambientais previncêndio (ACAP), além de reuniões preparatórias para o período crítico com todos os regionais do Instituto Estadual de Florestas (IEF), autarquia responsável pela gerências das unidades de conservação do Estado. As reuniões de caráter preparatório para o período crítico, feitas com as comunidades do interior e entorno de UCs para sensibilizar as pessoas que moram próximas aos parques. Foram realizados, também, 11 cursos de formação de brigada voluntária.

Todas as ações e medidas acima dispostas são adotadas considerando-se toda a abrangência territorial do Estado, porém, obviamente, com enfoque sobre aquelas regiões que, por características de relevo e vegetação, sofrem mais durante o período crítico.
A Força-Tarefa Previncêndio tem atuação em todo o Estado. Em 2015, além das equipes das unidades de conservação, Minas Gerais conta com 408 brigadistas contratados, que atuam nos meses mais secos do ano e estão mobilizados 24 horas por dia. Para apoio ao trabalho, estão disponíveis dois helicópteros, três aviões de monitoramento e transporte de pessoas, além de dez aviões de lançamento de água. As aeronaves das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros também podem ser acionadas a qualquer momento.

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