PARNA do Viruá

Informações gerais

Araquém Alcântara - www.terrabrasilimagens.com.br
Viruá
Parque Nacional
Federal
Proteção Integral
227.011 (Decreto - - 29/04/1998)
1998
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Consultivo
2012
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Município(s) no(s) qual(is) incide a Unidade de Conservação e algumas de suas características

Município População (IBGE 2007) População rural (IBGE 2001) População urbana (IBGE 2001) Estado Área do município (ha) Área da UC no município (ha) Porcentagem da UC no município (%)
Caracaraí 17981 6050 8236 RR 4.741.089 216.183 100 %

Pressões e ameaças

O desmatamento, as queimadas e a mineração industrial, são algumas das pressões que mais ameaçam as Unidades de Conservação. Veja abaixo dados atualizados sobre essas pressões nesta UC; para uma visualização comparativa entre as UCs mais desmatadas na Amazônia Legal, acesse o ranking dinâmico.

Para detalhes sobre a obtenção dos dados, acesse nossa nota técnica.

17.93 ha

Características

Características

Histórico

Criado em 1998, o parque contempla uma área de cerca de 227 mil ha, com o objetivo principal de preservar o ecossistema de campinarana. O Parque foi instituído por força de um acordo internacional firmado no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica da qual o Brasil é signatário, que prevê a destinação de 10% dos ecossistemas existentes para unidades de conservação de proteção integral (ICMBio, 2014).

A área do parque foi definida através da destinação de um território do INCRA ao IBAMA para a criação de uma unidade de conservação em razão da inaptidão do solo para assentamento humano (ICMBio, 2014). Entretanto, o desenho estabelecido para o Parque Nacional do Viruá deixou de incorporar áreas importantes para o sucesso de sua implantação e gestão. O desenho que tinha como intuito evitar que a área apresentasse problemas fundiários, apenas se efetivará a partir da ampliação do parque, já em processo de discussão (ICMBio, 2014). O parque teve seu plano de manejo aprovado em 2014 e conselho consultivo criado em 2012.

O nome do parque está relacionado ao principal rio da unidade de conservação, o Rio Iruá, que por falha no levantamento e registro da toponímia é apresentado em cartas oficiais como Rio Viruá, nome dado pela população local que associou o nome do rio ao caramujo Uruá, espécie predominante deste rio (ICMBio, 2014).

Historicamente, ribeirinhos da região utilizavam o parque para extração da sorva, pesca e exploração dos produtos da fauna, que representam fontes de renda e de subsistência até os dias atuais (ICMBio, 2014). Essas atividades foram responsáveis pela colonização e povoamento do baixo Rio Branco quando nordestinos, que fugiam da grande seca de meados de 1878, período correspondente ao auge do ciclo da borracha, ali se instalavam (ICMBio, 2014).

O PNV é reconhecido nacional e internacionalmente pelos títulos que trazem notoriedade ao patrimônio ambiental da região, como: Sítio RAMSAR, Sítio do Patrimônio Mundial Natural e a proposição da Reserva da Biosfera das Campinaranas Amazônicas, favorecendo a proteção de recursos que atendem ações de pesquisa, educação e de apoio ao desenvolvimento sustentável.

Localização

Localizado na região centro sul do estado de Roraima, o acesso ao parque é dotado de boa estrutura e a proximidade com as capitais de Manaus e Boa Vista fortalecem o potencial de uso público. O acesso pode ser feito por meio fluvial, através do Rio Branco, e por meio terrestre, onde a principal via é a "Estrada Perdida", trecho original da BR-174 abandonado pela inviabilidade da obra devido ao alagamento constante da região. Dela, parte uma estrada de acesso ao Núcleo-Sede da UC, onde se concentram as atividades de pesquisa, educação e integração socioambiental.

A "Estrada Perdida" está situada na área que será inserida ao parque com a ampliação. Tem estrutura semelhante à de uma "transpantaneira" e fornece acesso a todo o limite leste da UC, atravessando áreas úmidas de alta importância para a proteção e o turismo no Parque (ICMBio, 2014).

A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso (abril a agosto) quando as áreas de vegetação ficam mais secas, facilitando o deslocamento.

Atrações

O Parque Nacional do Viruá possui atributos naturais que lhe conferem vocação especial para o uso público. Sua diversidade de fauna e flora somada à facilidade de acesso faz do parque um local estratégico para o desenvolvimento do turismo em Roraima. Entre os principais atrativos está a observação de aves - ou birdwatching. A lista de espécies de aves do parque e áreas adjacentes, como as ilhas do Rio Branco e a "Estrada Perdida", soma cerca de 520 espécies, sendo o local onde há registros do maior número de espécies de aves observadas em um único dia no país (225 espécies) (OLMOS, 2014). Não à toa, o Viruá é parte de uma Área Importante para a Conservação das Aves (IBA, em inglês) reconhecida pela BirdLife International (OLMOS, 2014).
Entre as principais espécies que os visitantes procuram estão o formigueiro-de-yapacana, a choquinha-de-peito-riscado, a guaracava-de-topete-vermelho e o papa-capim-de-coleira (OLMOS, 2014).

Aspectos Naturais

O Parque Nacional do Viruá possui uma área pequena se comparada aos outros parques nacionais da Amazônia, entretanto apresenta recordes de biodiversidade em nível nacional e mundial, com destaque para as aves e os peixes de água doce (ICMBio, 2014). Na classe de mamíferos há registros de cerca de 119 espécies, sendo duas espécies raras de morcego (Diclidurus isabellus e Glyphonycteris daviesi) e nove espécies vulneráveis ou ameaçadas de extinção (macaco-aranha - Ateles paniscus, gato-maracajá - Leopardus wiedii, tamanduá-bandeira - Myrmecophaga tridactyla, onça-pintada - Panthera onca, tatu-canastra - Priodontes maximus, cachorro-do-mato-vinagre - Speothos venaticus, ariranha - Pteronura brasiliensis, anta - Tapirus terrestris, peixe-boi-da-amazônia - Trichechus inunguis) (ICMBio, 2014). As aves apresentam registros de 531 espécies, sendo 27 espécies classificadas como vulneráveis ou ameaçadas de extinção e 23 endêmicas (ICMBio, 2014). Peixes apresentam registros de aproximadamente 500 espécies e, anfíbios e répteis cerca de 118 espécies (ICMBio, 2014).

Situado, inteiramente, na bacia do Rio Negro, a enorme área coberta por areia e sujeita a inundações forma o Pantanal Setentrional roraimense (ICMBio, 2014). A dinâmica das inundações é condicionada pelas flutuações do clima e das cheias dos rios, com destaque para os rios Branco, Baruana e Anauá, formando um amplo espaço alagável, onde o lençol freático passa a comandar a evolução da paisagem (ICMBio, 2014).

O relevo do parque é caracterizado por terreno plano, sedimentar, com alguns morros residuais de baixa altitude. Os solos arenosos e com baixo escoamento de águas permitem a formação de diversas lagoas em meio aos terrenos inundáveis. Este é um ambiente hostil devido ao solo pobre, calor e oscilação do nível da água e as plantas reciclam todos os nutrientes que podem e se defendem de herbívoros com substâncias que, quando as folhas finalmente se decompõem e dão a cor escura a rios como o Negro (ICMBio, 2014). O potencial agrícola do Pantanal Setentrional e das campinaranas é zero e sua fragilidade é alta, o que é uma das justificativas para proteger a região do parque (ICMBio, 2014).

A vegetação predominante é um grande mosaico de campinaranas (vegetação sobre solos arenosos), desde a campina campestre até a campina florestada, moldadas conforme o encharcamento do solo (MILKO, 2003). Ocorre também florestas ombrófilas densas aluviais (florestas de várzea e igapó), formações pioneiras (buritizais, campos brejosos) e florestas ombrófilas abertas das terras baixas, além de pequenos enclaves de florestas ombrófilas abertas submontanas em morros residuais isolados. O PNV apresenta uma diversidade florística elevada, com 1262 espécies de plantas registradas, incluindo 1149 angiospermas e 110 pteridófitas, e quase 4000 estimadas (ICMBio, 2014).

O clima é quente e úmido o ano todo, com maiores quedas pluviométricas no outono, e um período mais seco entre outubro e abril (MILKO, 2003).

Pressões e Ameaças

O PNV enfrenta pressões de caça e tráfico de fauna, perda de habitat, exploração de recursos naturais e de desmatamento para extração de madeira, em razão de mudanças ocorridas no sistema fundiário de Roraima que transferiram a administração das terras da União para o Estado e causaram uma corrida pela ocupação de terras "livres" (externas às áreas protegidas e projetos de colonização). Além disso, a UC está ameaçada com a possível construção de uma hidrelétrica no Rio Branco, a montante do parque, que resultará em profundas alterações nos ecossistemas fluviais e na dinâmica que sustenta várzeas e ilhas (ICMBio, 2014).

Referências

ICMBio. Plano de Manejo do Parque Nacional do Viruá. Boa Vista, ICMBio, 626 p, 2014.
MILKO, Peter. Parques Nacionais Brasil. Parque Nacional Viruá. Guia Philips, 2003, pp. 362
OLMOS, Fábio. Parque Nacional do Viruá, um campeão de biodiversidade. O Eco, 13/10/2014. Disponível em: http://www.oeco.org.br/olhar-naturalista/28705-parque-nacional-do-virua-um-campeao-de-biodiversidade. Acessado em: 19 de março de 2015.

Observações

O Parque Nacional do Viruá conta com dois alojamentos, com capacidade para 30 pessoas instaladas, cozinha equipada, água encanada e energia elétrica proveniente de gerador. O acesso é feito por via fluvial, pelo Rio Branco, e por via terrestre, pela Rodovia BR-174, a 60 km ao Sul de Caracaraí, denominada de Estrada Perdida. O acesso ao Parque é muito fácil, mesmo para quem não tem carro. Para quem sai de Manaus, é só comprar uma passagem de ônibus para Caracaraí e descer na Vila Petrolina. A estrada de terra que dá acesso ao parque é transitável em qualquer época e fica a menos de 10 km da vila.
A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso (abril a agosto) quando as áreas de vegetação aberta ficam mais secas, o que facilita o deslocamento. Como em qualquer Unidade de Conservação a natureza é quem manda, então para aqueles que têm alergias a picadas de insetos e carrapatos é bom levar os medicamentos e estar com as vacinas obrigatórias (febre amarela e tétano) em dia.
O PN do Viruá abriga um dos sítios permanentes de pesquisas. O sítio de pesquisa é composto por um sistema de trilhas e acampamento de campo que facilitam o acesso e minimizam os custos de pesquisas ecológicas.
O sistema de trilhas forma uma grade de 5 por 5 km. Ao longo das trilhas leste-oeste, a cada 1 km, existem parcelas permanentes de 40 x 250 m, onde os pesquisadores coletam informações sobre o ambiente e as espécies. A grade de trilhas, além de servir para deslocamento, pode ser utilizada para pesquisar os animais e plantas que não podem ser amostrados nas parcelas.
(Fonte: www.uleinpa.blogspot.com. Acesso em: 27/04/2010).


Aspectos Físicos

Sobreposições com outras Unidades de Conservação ou Terras Indígenas

Não pertinente.

Biomas

Bioma % na UC
Amazônia 100.00

Fitofisionomias

Fitofisionomia (excluídos cursos d'água) % na UC
Campinarana 76.25
Contato Campinarana-Floresta Ombrófila 23.75

Bacias Hidrográficas

Bacia Hidrográfica % na UC
Negro 100.00

Contatos

Coordenadoria Regional (ICMBio): Caio Marcio Paim Pamplona
Endereço CR: Av. do Turismo, 1350 - Tarumã
CEP: 69041-010 - Manaus/AM
Tel: (92) 3613-3080
(92) 3232-7040
(92) 3303-6443
Email: cr.manaus@gmail.com


Notícias

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Histórico Jurídico

Tipo de documento Número Ação do documento Data do documento Data de publicaçãoícone de ordenação Observação Documento na íntegra
Portaria 47 Instrumento de gestão - plano de manejo 17/04/2014 22/04/2014 Aprova o Plano de Manejo do Parque Nacional do Viruá, localizada no estado de Roraima Download PDF
Portaria 130 Conselho 19/11/2012 20/11/2012 Cria o Conselho Consultivo do Parque Nacional do Viruá, no Estado de Roraima. Download PDF
Outros s/n Alteração de limites 04/11/2010 04/11/2010 Consulta pública para a ampliação do PARNA do Viruá. A área a ser ampliada abrange parte do município de Caracaraí/RR. Qualquer manifestação sobre estas propostas deve ser enviada para consultapublica@icmbio.gov.br. A consulta pública será realizada no Centro Cultural José Flávio Silva de Freitas (Auditório da Orla). Município: Caracaraí/RR. Data: 20 de novembro de 2010. Hora: 14 h. Download PDF


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